Empresa ligada a Flávio Bolsonaro pela PF lançou 3 bets e não divulgou, contradizendo sócio
A Rede Loto, empresa com o advogado Willer Tomaz e familiares como sócios, pagou R$ 5 milhões por uma licença para operar apostas no Rio de Janeiro, lançou três casas de apostas e as abandonou uma a uma, sem qualquer publicidade ou comunicação com o público.
A empresa está no centro de um inquérito da Polícia Federal que a liga ao senador Flávio Bolsonaro (PL), por meio da Cathedral Holdings, offshore portuguesa que controla a Rede Loto e que pagou viagens ao senador.
Em 19 de outubro, Willer Tomaz declarou que a empresa “nunca lançou operação de aposta”, afirmação que contradiz perfis ativos em redes sociais, relatórios enviados à Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) e registros da própria empresa de pagamentos de Tomaz.
A Rede Loto e as operações ocultas A Rede Loto foi pioneira na compra de licença para operar apostas online no Brasil, mas sua trajetória no mercado é marcada por um padrão incomum: lançar e abandonar operações sem fazer qualquer esforço para atrair apostadores.
A empresa, que tem Willer Tomaz e familiares como sócios, colocou no ar três casas de apostas distintas, a Loto Carioca, a BestBet e a Loto Legal, e chegou a tentar incorporar uma quarta, a Blend365, recuando no dia seguinte ao anúncio.
Nenhuma das operações foi sustentada por tráfego pago, campanhas publicitárias ou programas de afiliados.
A Loto Carioca foi a primeira.
Seu perfil no Instagram teve a estreia em 14 de junho de 2023 e encerrou as postagens poucas semanas depois, com uma publicidade do ator Eri Johnson como último registro.
Em outubro do mesmo ano, o site já estava fora do ar.
A BestBet veio em seguida, em novembro de 2023, com posts diários de odds ao vivo até janeiro de 2024, quando o perfil parou de ser atualizado.
A Loto Legal foi o passo seguinte.
Em nenhum dos casos houve comunicação ativa com o público.
Apesar disso, em 19 de outubro, Willer Tomaz declarou que “a Rede Loto, integralmente detida pela Cathedral, nunca lançou operação de aposta”, afirmação que contrasta diretamente com os perfis documentados nas redes sociais, com comunicados enviados pela própria empresa à Loterj e com relatórios da RioPag, empresa de intermediação de pagamentos também pertencente a Tomaz.
Flávio Bolsonaro, as contradições e a investigação da PF A Rede Loto é controlada pela Cathedral Holdings, offshore registrada na Ilha da Madeira, em Portugal.
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