Ministro diz que incêndios no Amazonas são criminosos: “Mais grave do que o esperado”
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco , afirmou neste domingo (11) que os incêndios florestais no Amazonas são criminosos e têm como objetivo preparar o terreno para futuros desmatamentos.
A declaração foi feita em entrevista coletiva na Base Aérea de Manaus, após sobrevoo sobre as áreas atingidas, com 36 municípios do estado já em situação de emergência decretada.
A presença de focos isolados no interior de florestas preservadas e de difícil acesso levou o ministro a concluir que se trata de ação humana deliberada, não de fogo acidental alastrado de pastagens .
Ministro denuncia intencionalidade criminosa nos incêndios do Amazonas O que Capobianco encontrou no sobrevoo contrariou até mesmo suas próprias expectativas.
“É uma situação muito grave, mais grave do que eu imaginava antes de fazer o sobrevoo, porque identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada”, disse o ministro.
A distinção é central: não se trata apenas de fogo iniciado em pastagens que avança sobre a mata, mas de focos surgindo dentro da floresta, em áreas intactas e de acesso difícil.
Para o ministro, esse padrão elimina a hipótese acidental.
“Esse é o problema grave, porque indica claramente que são incêndios criminosos com o objetivo de degradar a floresta e posteriormente buscar a derrubada na sequência”, afirmou.
A lógica é conhecida no histórico do desmatamento amazônico: o fogo degrada primeiro, abre clareiras, enfraquece a floresta e facilita a derrubada posterior, convertendo área protegida em terra para uso agropecuário.
Ações de resposta e mobilização do governo federal Uma comitiva federal chegou ao Amazonas para acompanhar de perto a crise.
Além de Capobianco, o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, participou do sobrevoo e visitou o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) em Manaus, onde as ações de resposta são coordenadas.
A comitiva também incluiu o presidente do Ibama, Jair Schmitt, e o secretário Nacional de Defesa Civil, Wolnei Wolff.
O combate às chamas mobiliza os governos federal e estadual em conjunto com os 36 municípios amazonenses com emergência decretada, com brigadistas, equipamentos e aeronaves em campo, entre elas aviões Air Tractor já em operação e dois aviões C-390 que passaram a atuar a partir desta segunda-feira (12).
Waldez Góes garantiu que todos os recursos necessários serão liberados conforme os planos de trabalho apresentados pelos municípios e pelo estado, sem teto predefinido.
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