O governo terá coragem de bancar a proibição dos jogos online?
O governo federal prepara uma MP (medida provisória) para proibir jogos online e restringir apostas esportivas. A iniciativa é bem vinda e nem seu caráter supostamente eleitoreiro seria suficiente para sustentar críticas a respeito de oportunismos. A MP é necessária, é urgente e é ato de coragem e de amor. Mas algumas coisas me fazem duvidar do sucesso dessa ação. A primeira é que o jogo político é bom em testar águas. A notícia vaza, a repercussão é avaliada e em seguida negocia-se um abrandamento na rigidez das medidas.
Do outro lado da trincheira estão clubes e demais interessados no farto dinheiro que circula com as apostas e outros jogos de azar online. É gente poderosa, gente com dinheiro ilimitado, gente com entrada nas mais altas esferas. Esse grupo busca encontrar caminhos para argumentar que as apostas são boas para a nação. Não são. O dinheiro arrecadado com impostos pode parecer razoável, mas se medido em relação aos estragos sociais e econômicos que os jogos de azar causam ele é inexistente. Não vale o estrago nem por um segundo.
Os únicos enriquecendo com esse setor de mercado são os donos da banca e influenciadores que aceitam trabalhar como promotores dessa tragédia social.
O que sabemos a respeito das ruínas causadas pelas casas de aposta é absolutamente tenebroso. Vidas que acabam - simbólica e concretamente - pessoas sendo colocadas em situação de rua, aumento da violência doméstica praticada por homens contra mulheres e crianças, falências, aumento do consumo de entorpecentes, aumento dos transtornos de ansiedade e da depressão.
A conta está sendo paga por mulheres e crianças. Uma sociedade que autorize esse tipo de jogo é uma sociedade colapsada. Os clubes estão apavorados porque mergulharam em uma bolha financeira que vai explodir. Eles alegam que não, mas sobreviverão. Terão que se adequar à realidade que a proibição trará: a de uma sociedade menos adoentada. Não é possível que seja difícil defender a coisa certa dado que a alternativa é apoiar o desmoronamento social e o desespero de milhões. O governo Lula é aquele que, de modo leve ou de modo mais forte, tentará fazer alguma coisa. Seu adversário, se vencer, vai surfar na onda das apostas online.
Mas a questão é: esse governo bancará a medida e fará toda a articulação necessária para aprová-la? Eu torço para que banque, mas aqui com meus botões estou mesmo é duvidando. E nesse caso a iniciativa terá sido sim uma medida eleitoreira: finge que vai, mas acaba não indo e culpa terceiros. Uma estratégia, para dizer o mínimo, bastante ruim aliás. A campanha de Lula para a reeleição talvez seja a mais fraca, despreparada e inútil da história da democracia brasileira.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Esporte.