Discord mantém brecha para transmissões ao vivo no Brasil mesmo após ordem de suspensão
Exclusivo: ANPD cobra Discord sobre brecha em transmissões O Discord continua permitindo que usuários no Brasil utilizem serviços que possibilitam a transmissão de vídeo em tempo real e o compartilhamento de tela.
A brecha foi identificada mais de um mês após a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinar a suspensão imediata de todas as transmissões ao vivo na plataforma no Brasil.
A GloboNews encontrou pelo menos duas ferramentas disponíveis na seção nativa de "atividades" do Discord que seguem plenamente funcionais para usuários brasileiros, sem qualquer restrição técnica ou bloqueio geográfico aparente.
Os recursos permitem o espelhamento de tela e a exibição de imagens em tempo real durante chamadas de voz e em servidores. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Por questões de segurança e para evitar facilitar o acesso às ferramentas por infratores, a reportagem optou por não divulgar seus nomes nem o passo a passo para ativá-las.
Procurada, a ANPD informou que, a partir dos dados apresentados pela GloboNews, pediu esclarecimentos ao Discord e alertou que o descumprimento de medidas preventivas pode acarretar sanções, incluindo a aplicação de multa diária. (leia a nota abaixo) 'Suspensão vira fachada', diz especialista Os recursos identificados operam por meio do ecossistema de desenvolvedores do próprio aplicativo.
Um dos serviços chega a exibir um aviso em inglês antes de ser iniciado, em que o usuário precisa marcar que "entende que este recurso não tem a intenção de burlar restrições regionais ou bloqueio geográfico" e que "apenas adiciona suporte a compartilhamento de tela".
Na prática, porém, o vídeo é transmitido normalmente na sala.
Para David Nemer, antropólogo da tecnologia e professor da Universidade da Virgínia, a existência dessas ferramentas compromete a eficácia da medida adotada no Brasil.
"As atividades são aplicativos que rodam dentro do próprio Discord, construídos com o kit de desenvolvimento da empresa e abertos em uma vitrine que ela controla", avalia Nemer.
"Se uma dessas atividades entrega exatamente o que a ANPD mandou suspender, que é a tela ao vivo em sala fechada, a suspensão vira fachada.
Se a porta foi aberta de propósito ou ficou esquecida, pouco importa: a responsabilidade é do Discord." O pesquisador ressalta que a brecha mantém os riscos que motivaram a suspensão inicial.
"O risco está na combinação de vídeo ao vivo, sala fechada, público selecionado e moderação fraca.
Uma atividade de compartilhamento de tela em sala com senha reproduz essa combinação por inteiro.
Para quem alicia e chantageia adolescentes, o nome do botão é irrelevante", diz.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Tecnologia.