O que o miriti pode ensinar sobre bioeconomia na Amazônia
Todo segundo domingo de outubro, quando Belém recebe milhões de pessoas para o Círio de Nazaré, uma parte da Amazônia também chega à capital paraense representada na forma de barcos, pássaros, cobras e personagens coloridos da cultura paraense.
São brinquedos de miriti, produzidos sobretudo por artesãos de Abaetetuba, município do nordeste do Pará.
Leves, coloridos e há décadas associados ao Círio, eles contam uma história que começa bem antes da procissão.
Assine gratuitamente a newsletter Últimas Notícias do JOTA e receba as principais notícias jurídicas e políticas do dia no seu email O miriti ou buriti ( Mauritia flexuosa ) é uma palmeira nativa das áreas úmidas e florestas de várzea da Amazônia e do Cerrado.
Conhecida em algumas regiões como “Sentinela das Águas”, a espécie funciona como uma excelente bioindicadora de recursos hídricos, já que a sua presença sinaliza a existência de nascentes, lagos e charcos.
Seus frutos nutritivos são utilizados na alimentação de várias formas, enquanto folhas, fibras e pecíolos (haste que sustenta a folha da palmeira) têm distintas aplicações.
Em Abaetetuba, porém, a relação com a espécie ganhou uma expressão particular: o artesanato.
Técnicas de extração, beneficiamento e transformação foram desenvolvidas e transmitidas entre gerações, fazendo da palmeira parte da economia, da cultura e da identidade local.
A Feira do Círio está entre os principais espaços de comercialização de artesãos e artesãs, que concentram parte significativa do trabalho e das vendas no período da festividade religiosa.
O percurso do miriti até Belém mostra como a sociobioeconomia articula geração de renda, conservação ambiental e valorização dos saberes tradicionais na Amazônia.
O conceito une a economia ecológica à identidade regional, associando os recursos naturais e seus modos de produção aos conhecimentos, práticas e saberes tradicionais dos povos da floresta.
Para que seu talo se transforme em brinquedo, há um conjunto de conhecimentos sobre escolha da matéria-prima, extração, secagem, corte, habilidades na preparação e transformação do material.
Transmitidos pelo acúmulo de experiências e pela convivência comunitária, esses saberes contribuem para a preservação cultural e a autonomia financeira das comunidades, transformando práticas ancestrais em oportunidades de geração de renda sustentável.
As economias baseadas na sociobiodiversidade vão além de transformar recursos naturais em produtos e levá-los ao mercado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.