China e América Latina ampliam debate sobre direitos humanos em encontro realizado no Peru
A Terceira Mesa Redonda China-América Latina e Caribe sobre Direitos Humanos , realizada nesta terça-feira (15), em Lima, no Peru.
O encontro reuniu cerca de 200 representantes de 23 países latino-americanos e caribenhos e da China para discutir o futuro da governança global dos direitos humanos sob o tema “Multilateralismo e Direitos Humanos” .
Entre os participantes brasileiros esteve Izabella Teixeira , ministra do Meio Ambiente dos governos Dilma Rousseff, que participou da programação principal do encontro e levou ao debate questões relacionadas à crise climática, desenvolvimento sustentável, recursos estratégicos e cooperação internacional.
Izabella Teixeira destaca crise climática e papel da América Latina Em sua intervenção, Izabella Teixeira afirmou que a crise climática já é uma realidade e não apenas um problema para o futuro.
Segundo a ex-ministra, eventos extremos provocados pelo aumento das temperaturas ameaçam direitos e as condições necessárias para sua realização.
Teixeira chamou atenção para uma desigualdade presente na crise climática: regiões que tiveram menor responsabilidade histórica pelas emissões de gases de efeito estufa estão entre aquelas que enfrentam alguns dos impactos mais severos das mudanças do clima.
A ex-ministra também destacou a posição estratégica da América Latina diante das transformações da economia mundial.
A região possui grandes reservas de água, alimentos e minerais críticos , recursos que ganham importância com a transição energética e as mudanças tecnológicas.
Na avaliação apresentada por Teixeira, esse patrimônio natural pode ser utilizado como uma base para ampliar a capacidade de negociação e a voz internacional dos países latino-americanos.
Ela defendeu ainda que a região construa uma transição econômica verde que seja socialmente inclusiva e aumente sua capacidade de enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.
A importância do debate Ao longo do encontro, representantes chineses e latino-americanos apresentaram experiências em áreas como combate à pobreza, educação, saúde, infraestrutura, proteção ambiental e acesso à tecnologia.
O debate colocou em evidência uma concepção segundo a qual a garantia dos direitos humanos não se limita à existência de direitos formalmente reconhecidos, mas também depende das condições materiais para que a população possa exercê-los.
Esse ponto apareceu em diferentes intervenções, inclusive nas discussões sobre pobreza, mudanças climáticas e acesso à tecnologia.
Para os participantes, o desafio colocado aos países em desenvolvimento é conciliar a proteção dos direitos com políticas capazes de ampliar as condições de vida da população e, ao mesmo tempo, garantir maior autonomia diante das transformações econômicas e tecnológicas globais.
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