Estúdios não resolvem crise habitacional, mas não devem ser demonizados
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Urbanista e editor-chefe do Caos Planejado, plataforma digital sobre cidades
Urbanista e editora de urbanismo do Caos Planejado, plataforma digital sobre cidades
[RESUMO] Autores se opõem a críticas frequentes aos estúdios, como a que afirma que deixaram de servir como moradia e se tornaram um ativo financeiro listado em plataformas de aluguel por temporada e a que sustenta que não são uma alternativa digna de moradia.
Os estúdios, ou apartamentos compactos, não são novos no mercado imobiliário. Como relata Raul Juste Lores no livro " São Paulo nas Alturas ", a tipologia cresceu no Brasil após a Lei do Inquilinato, de 1942, que congelou os preços dos aluguéis e fez com que muitos proprietários tirassem os seus imóveis do mercado, gerando uma escassez de oferta.
Assim, as unidades pequenas e bem localizadas passaram a ser uma opção mais viável para a compra por quem queria continuar morando no centro, mas não conseguia arcar com o financiamento de um apartamento maior.
A tendência se fortaleceu, e, em 1951 e 1952, o Banco Nacional Imobiliário lançou mais de 1.500 quitinetes na capital paulista. Em 1954, o edifício Montreal, de Oscar Niemeyer, tornou-se o primeiro arranha-céu de quitinetes de São Paulo, com apartamentos a partir de 29 m².
O modelo se espalha mundo afora. Em Paris, as chambres de bonne, de cerca de 10 m², eram alojamentos de empregados domésticos e hoje oferecem uma opção para estudantes e jovens trabalhadores. Via de regra, é uma alternativa transitória, permitindo acesso à cidade caríssima em um momento específico das suas vidas.
Na mesma linha, Nova York decidiu flexibilizar o seu zoneamento nos anos 2010, eliminando exigências mínimas de metragem em determinados distritos de alta densidade e permitiu unidades na faixa de 24 m² como alternativa à crise habitacional.
Hoje, estúdios ganharam enorme protagonismo nos lançamentos imobiliários, sobretudo nas grandes cidades brasileiras, como já argumentamos em coluna . Em São Paulo, a categoria de imóveis de um dormitório, da qual fazem parte, representou cerca de um terço dos lançamentos do ano . Enquanto em 2016 foram lançadas 2.900 unidades desse tipo, em 2025 foram quase 44 mil.
As mudanças demográficas reforçam o aumento da procura por esse tipo de moradia. No Brasil, domicílios com um único morador passaram de 12% para quase 20% do total entre 2012 e 2025, um aumento de 8,2 milhões de domicílios no país. Em São Paulo, entre 2010 e 2022, a população cresceu apenas 0,15% ao ano , enquanto o número de domicílios cresceu 2,81% ao ano, um valor desproporcionalmente maior.
Na capital paulista, parte do crescimento da quantidade de estúdios também é uma resposta à regulação. O Plano Diretor de 2014 criou a cota parte , que exige um número mínimo de unidades por terreno nos eixos de transporte. O instrumento induz unidades menores para tentar aumentar o volume de pessoas utilizando a infraestrutura de transporte.
Em meio a esse escândalo, cresce a demonização dos estúdios pela opinião pública.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.