Taxas dos DIs disparam mais de 250 pontos-base após Lula superar Flávio na eleição
SÃO PAULO, 26 Out (Reuters) – As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira pós-eleição com fortes altas, superiores a 250 pontos-base em alguns contratos, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) superar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto, surpreendendo o mercado.
A disparada dos prêmios na curva reflete tanto um ajuste em relação às baixas vistas após o primeiro turno, quando Flávio estava à frente de Lula, quanto as preocupações dos investidores com o futuro da política fiscal.
Leia também Bolsas da Europa fecham em alta com petróleo; ações expostas a Brasil caem Ações de empresas europeias que são expostas ao Brasil caíram após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) Ibovespa desaba 17% e vai a 170 mil pontos após vitória de Lula nas eleições As negociações da bolsa à vista só começaram a partir das 10h38 (horário de Brasília) No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,8%, em alta de 194 pontos-base ante o ajuste de 12,859% da última sexta-feira, antes do segundo turno.
Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2031 estava em 15,185%, com elevação de 254 pontos-base ante 12,642%.
O início da sessão foi marcado por paralisações nos negócios com DIs após as taxas de vários vencimentos atingirem limites de alta.
A B3 anunciou a expansão desses limites ainda pela manhã, mantendo pausas para que o mercado encontrasse preços de equilíbrio.
Às 11h02, após uma paralisação, a taxa do DI para janeiro de 2031 atingiu a máxima intradia de 15,940%, em alta de 330 pontos-base ante o ajuste de sexta-feira.
O movimento foi consequência direta da vitória de Lula sobre Flávio no segundo turno da disputa presidencial, por 51,79% a 48,21% dos votos válidos.
Como o mercado estava em grande parte posicionado para uma vitória de Flávio, o ajuste na curva foi inevitável.
Isso porque com Flávio no Planalto o mercado enxergava chances maiores de controle das contas públicas — ainda que nem o candidato nem seus assessores econômicos tenham apresentado durante a campanha propostas concretas para reduzir gastos.
Como Lula venceu, o mercado voltou a incorporar prêmios à curva, em especial entre os contratos de longo prazo, mais suscetíveis à política fiscal.
O movimento ocorreu em paralelo à forte queda do Ibovespa e à disparada do dólar ante o real.
A disparada desta segunda-feira colocou as taxas inclusive acima dos patamares vistos antes do primeiro turno da eleição presidencial, o que sugere que o mercado não apenas reincorporou à curva os prêmios perdidos anteriormente quanto acrescentou mais prêmios.
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