A fenda magnética no céu do Brasil que faz satélites desligarem sistemas ao passar pela região
A região enfraquecida do campo magnético terrestre aumenta a exposição de espaçonaves à radiação e exige cuidados especiais nas operações orbitais
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Sobre parte da América do Sul e do Atlântico existe uma região invisível em que a proteção magnética terrestre se torna especialmente fraca. Conhecida como Anomalia do Atlântico Sul , ela permite que partículas energéticas atinjam órbitas baixas com maior intensidade e pode obrigar missões espaciais a adotar medidas especiais de segurança.
O campo magnético terrestre é produzido principalmente pelo movimento do ferro líquido no núcleo externo do planeta, mas não possui intensidade uniforme. Sobre a América do Sul e o Atlântico Sul existe uma grande área de menor intensidade, resultado da complexa dinâmica interna da Terra e da geometria de seu campo magnético.
Chamá-la de “fenda” ou “buraco” ajuda a visualizar o fenômeno, porém não significa que exista uma abertura física no céu. É uma depressão no escudo magnético, onde uma parte do cinturão interno de radiação de Van Allen chega mais perto da Terra e aumenta a exposição das espaçonaves em determinadas altitudes.
Quando uma espaçonave atravessa a região, partículas energéticas podem atingir componentes eletrônicos e detectores. Isso pode provocar erros de memória, dados corrompidos, reinicializações e outros eventos conhecidos na engenharia espacial como efeitos de evento único. Em determinadas missões, componentes não essenciais são deliberadamente desligados durante a passagem.
O vídeo “NASA Explores Earth’s Magnetic ‘Dent’”, publicado pela NASA Goddard, explica visualmente por que essa área enfraquecida existe e como cientistas acompanham sua evolução. A animação ajuda a entender por que o problema é particularmente importante para equipamentos em órbita baixa.
O risco não significa que todo satélite que cruza a área sofrerá uma pane. Projetistas utilizam componentes resistentes à radiação, blindagem, redundância eletrônica, correção de erros e procedimentos operacionais específicos para reduzir a possibilidade de uma falha permanente.
A própria NASA explica que operadores podem desligar componentes não essenciais durante a passagem pela região. O Hubble também convive historicamente com restrições operacionais relacionadas à anomalia, mostrando que interromper certas atividades pode ser uma medida preventiva, e não consequência de um computador já danificado.
Sim, mas o fenômeno precisa ser interpretado sem alarmismo. Medições da missão Swarm, da Agência Espacial Europeia, mostram mudanças importantes na distribuição e na intensidade dessa região. Em outubro de 2025, a ESA informou que a área enfraquecida havia se expandido significativamente desde 2014.
Dados geomagnéticos mais recentes também continuam indicando evolução da anomalia. O relatório anual do Modelo Magnético Mundial divulgado em janeiro de 2026 registrou aprofundamento e crescimento da região, reforçando a necessidade de acompanhar sua posição para planejamento de missões espaciais.
Não há evidência de que a anomalia represente atualmente uma ameaça especial para as pessoas que vivem sob ela.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.