Gigante dos suplementos entra em falência e admite que até 1.200 lojas podem desaparecer
Rede de suplementos entrou em falência admitindo que poderia fechar até 1.200 lojas. Entenda como uma sócia estrangeira acabou assumindo o controle da empresa
A empresa é a GNC, que em junho de 2020 entrou com pedido de Chapter 11 nos Estados Unidos, mecanismo de recuperação judicial americano, informando que planejava fechar entre 800 e 1.200 das aproximadamente 5.200 lojas que mantinha em operação no país.
O pedido veio pouco depois de anos de vendas pressionadas pela concorrência de farmácias, supermercados e do comércio eletrônico, além de uma dívida que já vinha se acumulando havia tempo e que a pandemia tornou insustentável de sustentar apenas com receita das lojas físicas.
A Harbin Pharmaceutical Group, uma das maiores farmacêuticas da China, já detinha uma fatia relevante do capital da GNC desde 2018, quando havia investido pesadamente na rede numa tentativa de reforçar o caixa da companhia americana. Essa posição prévia colocou a farmacêutica chinesa em vantagem no momento em que a GNC buscou um comprador durante o processo de recuperação judicial.
Com o apoio de cerca de 90% dos credores da GNC, o plano de reorganização levou justamente a Harbin Pharmaceutical a assumir o controle da empresa ao final do processo, transformando uma investidora minoritária em dona da rede americana de suplementos.
Como parte do plano de reorganização, a Harbin Pharmaceutical pagou cerca de R$ 4,2 bilhões pela GNC, valor que permitiu à companhia sair formalmente do processo de recuperação judicial em outubro de 2020, poucos meses depois do pedido inicial, já sob controle da farmacêutica chinesa.
A rapidez da conclusão do processo, pouco mais de quatro meses entre o pedido e a saída da recuperação judicial, foi possível justamente porque a maior parte dos credores já havia negociado os termos do acordo antes mesmo do pedido formal ser protocolado na Justiça americana.
A GNC vinha de anos de vendas físicas em queda, pressionada pela concorrência de farmácias e supermercados que passaram a vender suplementos e vitaminas nas próprias prateleiras, além do crescimento acelerado do comércio eletrônico especializado em produtos de nutrição esportiva.
Mesmo com o fechamento de centenas de lojas físicas, a marca GNC seguiu operando nos Estados Unidos sob o novo controle chinês, mantendo uma rede reduzida de unidades próprias e reforçando a venda por meio de franquias e do canal online, modelo que exige uma estrutura de custos bem menor do que a antiga rede de milhares de lojas.
A experiência da GNC também acabou virando referência para outras varejistas físicas endividadas que buscaram acordos prévios com credores estrangeiros antes de recorrer à Justiça, na tentativa de reduzir o tempo total do processo de recuperação judicial.
O mesmo tipo de sócio estrangeiro decisivo no desfecho de uma falência apareceu também no caso da companhia aérea que não conseguiu ser salva por uma gigante do Catar por causa de uma regra de propriedade estrangeira .
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