Ex-ministro demitido por Zelenski critica governo e pede eleições
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Um dos mais populares políticos da Ucrânia , Mikhailo Fedorov, pediu nesta terça-feira (18) que o país realize imediatamente eleições para "restaurar o processo democrático". Acusou a gestão liderada por Volodimir Zelenski de corrupção em tempos de guerra e de "crise sistêmica de governança".
Fedorov havia sido demitido pelo presidente ucraniano em 16 de julho, tendo desencadeado uma onda de protestos que derrubou um de seus rivais dentro do governo, o então chefe das Forças Armadas Oleksandr Sirskii.
Os manifestantes não se deram por satisfeitos e continuaram nas ruas, exigindo a volta do jovem e enérgico Fedorov, de 35 anos.
Ficou evidente que o problema dele ia além de enfrentar militares da velha guarda por defender o uso intensivo de novas tecnologias e aprimorar processos de compras: o então ministro havia entrado em conflito Zelenski, ameaçando roubar-lhe protagonismo.
"A democracia não pode continuar refém da Rússia. Nós temos de encontrar um mecanismo legal, seguro e realista que permita a Ucrânia e renovar seu processo democrático pleno", disse, sem citar nomes de rivais. "O sistema antigo costuma viver por suas próprias regras. Ele se protege e tem medo de mudança."
Com isso, Fedorov pode criar um dos maiores problemas políticos para o líder se seu pedido por um pleito presidencial virar a pauta dos manifestantes.
O mandato de Zelenski terminou em 2024, mas a legislação não permite eleições com a vigência da lei marcial decorrente da guerra de Vladimir Putin . O presidente russo nunca perde uma oportunidade de questionar a legitimidade do rival devido à situação.
No ano passado, o próprio presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , chamou o ucraniano de "ditador sem eleições" quando o azedume entre ambos estava no zênite. Agora, a situação está mais calma. Ainda assim, o americano repassou a conta da ajuda militar a Kiev para os europeus e se recusa a fornecer mísseis antiaéreos.
Há um padrão na crise. Em 2024, Zelenski provocou insatisfação ao substituir o general Valeri Zalujni , outro popular militar que antecedeu Sirskii na cúpula fardada do país. Ele o despachou para ser embaixador em Londres , mas a possibilidade de uma candidatura de Zalujni ainda ronda Kiev.
Com Fedorov, a situação pode ser ainda pior. Zalujni fez críticas públicas à condução da guerra, mas negou diversos relatos de que havia defendido de forma reservada a realização de eleições. Disse que elas são inviáveis com 20% do país ocupado e violência grassando.
A questão da corrupção é endêmica na história ucraniana recente, tanto sob os governos pró- Moscou quanto nos pró- Europa . O conflito trouxe negociatas à nota, de contratos superfaturados envolvendo políticos próximos de Zelenski à venda de isenção do serviço militar.
Zelenski, a exemplo de Putin, estimula rivalidades entre seus subordinados. A necessidade de apoio popular de base o faz sensível a protestos. No ano passado, ele desistiu de uma lei que tirava poderes de órgãos investigativos quando foi alvo de grandes atos de rua.
Agora, contudo, ele insistiu em escantear Fedorov.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.