Star quality de Glória Menezes moldou as novelas brasileiras
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Jornalista e crítico de TV, é mestre em sociologia pela USP e autor dos livros 'Topa Tudo por Dinheiro' e 'O Homem do Sapato Branco'
Entre Darlene Glória e Glória Menezes , Gilberto Braga escolheu a segunda como protagonista do seu primeiro trabalho na televisão, o caso especial "A Dama das Camélias", exibido em dezembro de 1972.
Darlene era, então, uma das musas do cinema brasileiro. A sugestão de que vivesse o papel principal no caso especial foi do dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho, que estava dando os seus primeiros passos na Globo . "E essa Glória Menezes que faz novela?", sugeriu Braga.
O então crítico teatral adorava Darlene e mal conhecia Glória, mas intuiu, pelo interesse que sua mãe tinha nas novelas da atriz, que ela seria uma escolha mais adequada para o caso especial. Braga havia visto Glória uma única vez, em "Sangue e Areia", novela de 1967, e contou que sua mãe ficou "chocadíssima" que ele não a conhecia.
Essa breve história revela não apenas o cuidado que Gilberto Braga sempre teve com a escalação dos elencos de suas novelas e minisséries, mas também, e especialmente, a percepção de que alguns atores tinham algo especial, que os americanos chamam de "star quality". Na falta de um bom termo em português, seria algo como "presença de tela" ou "qualidade de estrela".
Glória Menezes está entre essas atrizes. De grande beleza e expressividade, transmitia um magnetismo excepcional, impossível de passar despercebido. Na tela pequena da televisão dos anos 1960, em preto e branco, até os anos 1990, essa qualidade que Glória e outros tantos talentos, femininos e masculinos, exibiam se tornou um bem de grande valor.
Sem nenhum demérito na comparação com atores que fizeram carreira mais sólida no teatro ou no cinema, formas consideradas mais nobres, os astros da televisão brasileira, assim como os grandes nomes do cinema de Hollywood nas décadas de 1940 e 1950, moldaram suas carreiras com base nessa magia.
Ainda assim, Glória Menezes tinha a ambição de ser reconhecida como mais que uma atriz de televisão. O investimento que ela e o marido, Tarcísio Meira , outro galã de TV, fizeram no filme "O Descarte" é um exemplo disso. A produção dirigida por Anselmo Duarte, em 1973, não fez o sucesso esperado, mas foi importante para a afirmação da atriz.
Com 60 anos de carreira e mais de 40 títulos exibidos na TV em seu currículo, Glória Menezes foi um dos rostos mais marcantes da história da teledramaturgia brasileira. É possível mesmo dizer que é um dos rostos que simboliza a era de ouro das novelas brasileiras. Fez mocinhas adocicadas, vilãs terríveis, mulheres sedutoras, se saindo bem, quase sempre, em todos os desafios.
Não bastasse, em parceria com Tarcísio, com quem foi casada por 59 anos até a morte do ator, em 2021, formou um "casal 20", que causava admiração e atiçava a curiosidade do público e da imprensa de celebridades. Em 2020, ela disse: "Eu sei que é uma coisa rara, mas isso aconteceu com a gente. O amor. E o amor supera tudo, as brigas e as coisas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.