Pouco conhecidos, peixes peçonhentos podem ajudar na descoberta de medicamentos
Uma pesquisa científica, conduzida por biólogos ligados à universidades de Mato Grosso do Sul, revelou a importância das 63 espécies de peixes peçonhentos, entre arraias e bagres, distribuídas nas bacias do Rio Paraguai e do alto Rio Paraná.
O estudo também chama atenção para algo pouco discutido: os acidentes com esses animais são frequentes entre pescadores e comunidades ribeirinhas, mas ainda são pouco estudados pela ciência.
O trabalho integra um capítulo do livro sobre venenos animais, assinado pelos pesquisadores Karina Keyla Tondato-Carvalho, Vinicius Renner Lampert e Douglas Alves Lopes.
Segundo o levantamento, sete espécies são arraias e 56 pertencem ao grupo dos bagres, que concentra a maior diversidade desses peixes no Estado.
“São consideradas válidas para o território de Mato Grosso do Sul 63 espécies de peixes peçonhentos, caracterizadas por possuírem ferrões ou raios de nadadeiras transformados em espinhos associados a glândulas secretoras de toxinas”, descreve o estudo.
Quem conversou com o Campo Grande News foi o pesquisador Douglas Alves, professor da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul).
Ele diz que essa diversidade reflete a riqueza biológica dos rios da região.
“Os peixes constituem o grupo mais diversificado de vertebrados do planeta e a região neotropical concentra uma das maiores riquezas de espécies de água doce”, explica o capítulo científico.
Embora a maioria das pessoas associe acidentes apenas às arraias, os pesquisadores apontam que os bagres são responsáveis pela maior parte das ocorrências.
Estudos citados no trabalho indicam que, em rios e lagos do Brasil, cerca de 40% dos acidentes envolvem mandis e bagres e menos de 5% estão ligados às arraias.
Os acidentes ocorrem principalmente durante a pesca ou ao manipular os peixes presos em redes e anzóis.
“O envenenamento por peixes é comum em ambientes de água doce mundo afora”, destaca o estudo, lembrando que as lesões geralmente provocam dor intensa, inchaço e inflamação.
Mesmo com a baixa letalidade, as consequências podem ser graves.
Infecções secundárias são frequentes e podem levar a complicações médicas.
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