STF confirma 24 meses para Congresso regulamentar garimpo na terra Cinta Larga
O Plenário do Supremo Tribunal Federal confirmou nesta quinta-feira (13/8), por maioria de votos, a decisão liminar do ministro Flávio Dino, de fevereiro deste ano , que reconheceu a existência de omissão institucional do Poder Legislativo na regulamentação da exploração mineral no território do povo Cinta Larga , localizado nos estados de Rondônia e Mato Grosso.
Os ministros estabeleceram o prazo de 24 meses para que o Congresso edite a norma destinada a regulamentar a matéria.
Marcelo Camargo/Agência Brasil Para o STF, Congresso foi omisso ao não regulamentar garimpo em terra indígena O caso foi discutido em uma ação proposta pela Coordenação das Organizações Indígenas do Povo Cinta Larga (Patjamaaj), que alegou que a omissão legislativa impede a exploração regular das riquezas minerais existentes em suas terras e aprofunda a vulnerabilidade socioeconômica das comunidades.
De acordo com a entidade, a falta de regulamentação impede o acesso a fontes lícitas de renda, agrava conflitos com garimpeiros ilegais e compromete políticas de saúde, educação e proteção territorial.
A controvérsia envolveu o artigo 231, parágrafo 3º, da Constituição.
O dispositivo prevê que a pesquisa e a lavra de riquezas minerais em terras indígenas dependem de autorização do Congresso Nacional, após a oitiva das comunidades afetadas, e assegura aos povos indígenas participação nos resultados da exploração.
A efetivação dessas regras, porém, depende de regulamentação legal que ainda não foi aprovada.
Sustentações orais A sessão desta quinta começou com as sustentações orais de partes e amici curiae (amigos da corte).
Representando a Patjamaaj, a advogada Marilda de Paula Silveira destacou que o tema é complexo, mas isso não justifica a demora do Congresso para regulamentar o tema.
“É muito difícil garantir o exercício de direitos, especialmente no Brasil, especialmente para grupos minoritários.
E é exatamente por isso que a gente está aqui na Suprema Corte, porque é para isso que ela existe.
Para poder dizer para a sociedade, para o Congresso, para o Executivo, que ainda que eles não queiram, as minorias não vão continuar sendo empurradas para a margem.
Elas vão ter os seus direitos garantidos.” A advogada da União Isadora Maria Belém Rocha Cartaxo pediu que o STF não referendasse a decisão de Flávio Dino.
Ela destacou os efeitos causados pelo que chamou de narrativas distorcidas.
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