Ambev cai mais de 3%; venda de cerveja decepciona apesar do lucro
As ações da Ambev (ABEV3) caíam 3,29%, a R$ 14,72, às 11h18 desta quinta-feira (29), após a divulgação do balanço do terceiro trimestre. Apesar do lucro acima das expectativas, analistas avaliam que o resultado foi favorecido por ganhos cambiais e impostos menores, enquanto as vendas de cerveja no Brasil voltaram a decepcionar.
Em relatório divulgado nesta quinta-feira, Gustavo Troyano, do Itaú BBA, destaca que o volume de cerveja vendido no Brasil cresceu apenas 0,5% em relação ao mesmo período de 2025. Tanto o banco quanto a média do mercado esperavam uma expansão de 3%.
Vendas de cerveja ficaram abaixo das expectativas mesmo com comparação favorável. O crescimento de apenas 0,5% ocorreu sobre uma base mais fraca do ano anterior, o que, em tese, facilitaria a expansão. Para o Itaú BBA, o resultado reforça as dúvidas sobre a recuperação do consumo de cerveja no país.
Mais importante que o tamanho da diferença em relação às expectativas, acreditamos que a qualidade do resultado deve ficar em foco. Itaú BBA, em relatório
Resultado operacional também decepcionou. O Ebitda ajustado consolidado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 7,3 bilhões, aproximadamente 2% abaixo da projeção do banco.
Divisão brasileira de cerveja ficou aquém do esperado. O Ebitda do segmento foi de aproximadamente R$ 3,5 bilhões, ante estimativa de R$ 3,8 bilhões. O avanço das marcas premium, de maior valor agregado, ajudou as receitas, mas não compensou o crescimento limitado das vendas e a pressão dos custos.
Custos cresceram mais do que o previsto. A receita líquida por hectolitro, medida que considera os preços e a composição das vendas, acompanhou a inflação. Já o custo por hectolitro, excluindo efeitos como depreciação, aumentou 3,6%, acima da alta de 1% esperada pelo Itaú BBA.
Meta de custos para o ano ficou mais difícil. Segundo os analistas, os números do trimestre enfraquecem a expectativa de que a Ambev consiga encerrar 2026 próxima do limite inferior de sua projeção de custos.
Lucro recebeu ajuda de ganhos financeiros e impostos menores. As despesas financeiras ficaram em R$ 312 milhões, o menor patamar desde 2021, favorecidas por ganhos cambiais sem efeito imediato no caixa. A alíquota efetiva de imposto também ficou abaixo do esperado, contribuindo para o resultado líquido.
Analistas questionam se os ganhos financeiros vão se repetir. O Itaú BBA considera necessário entender melhor quanto do benefício cambial registrado no trimestre poderá continuar nos próximos resultados. Esses efeitos não representam necessariamente uma melhora das vendas ou da operação da companhia.
Valorização do dólar pode pressionar os custos da Ambev. A moeda americana mais cara eleva o preço em reais de insumos negociados em dólar. Ao mesmo tempo, o orçamento mais apertado dos consumidores pode dificultar o repasse desses aumentos aos preços das bebidas.
Concorrência também limita o espaço para reajustes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.