Apostadores nos EUA tiveram acesso a informações do Exército, diz estudo
Mais de 150 carteiras na Polymarket International podem ter realizado negociações com base em informações internas das forças armadas dos Estados Unidos, atraindo apostas de imitadores e levantando preocupações de que o mercado poderia transmitir sinais exploráveis por adversários estrangeiros, segundo uma pesquisa publicada nesta quinta-feira (20).
A análise realizada pelo grupo de pesquisa sem fins lucrativos ACDC (Anti-Corruption Data Collective), noticiada inicialmente pela agência de notícias Reuters, lança nova luz sobre prováveis casos de uso de informações privilegiadas de origem militar no mercado de previsões e sobre os riscos mais amplos que tal atividade pode representar.
O estudo surge em um momento em que autoridades intensificam a fiscalização sobre esse setor em rápida expansão, após apostas realizadas antes de ações militares dos EUA — incluindo o caso de um soldado americano acusado, em abril, de usar informações sigilosas para apostar na deposição do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro , algo que legisladores afirmaram poder comprometer a segurança nacional.
Porta-vozes da Polymarket, fundada em 2020, não responderam aos pedidos de comentário.
George Santos faz acordo de US$ 35 mil por irregularidade em apostas Engenheiro do Google é acusado de usar dados secretos para ganhar apostas Soldado acusado de apostar na captura de Maduro se declara inocente A plataforma de mercado de previsões afirma possuir controles rigorosos, monitorar atentamente atividades suspeitas e ter encaminhado dezenas de carteiras de negociadores às autoridades, incluindo o caso relacionado a Maduro.
A plataforma internacional da Polymarket liquida negociações em blockchain, o que significa que as apostas são públicas, embora os negociadores permaneçam anônimos.
O ACDC analisou todos os mercados liquidados até 5 de maio para identificar apostas de “baixa probabilidade”, definidas como apostas de pelo menos US$ 2.500 (cerca de 12.900 reais) feitas cumulativamente em uma hora ou menos em um resultado com probabilidade de 35% ou menos.
Dentro desse universo, o ACDC identificou 556 carteiras que apelidou de “Orcas”, uma referência às táticas de caça precisas e seletivas da orca.
Esses negociadores geralmente abriam uma conta e rapidamente faziam uma aposta de baixa probabilidade altamente bem-sucedida em mercados de nicho — onde pessoas com acesso a informações internas poderiam ter vantagem —, antes de, em muitos casos, realizarem o lucro e desaparecerem.
Desse grupo, 152 carteiras apresentaram sucesso excepcional ao apostar em mercados militares e de defesa, acumulando US$ 8 milhões (cerca de 41 milhões de reais) em ganhos, com uma taxa média de acerto de 97,2%.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.