Por que aviões ficam dando voltas antes de pousar? Prática deixa voos mais poluentes e custa mais de US$ 2,3 bilhões para a gestão do tráfego aéreo
Viajantes frequentes podem estar familiarizados com a experiência de ver seu avião chegando ao aeroporto e se animar com a perspectiva de esticar as pernas e aterrissar em terra firme, só para se verem presos na aeronave enquanto ela circula no céu por um período que parece interminável.
A manobra não é capricho do piloto, nem necessariamente sinal de pane: na maioria das vezes, ocorre por falhas na gestão do tráfego aéreo.
Nesta terça-feira (27), a ONU (Organização das Nações Unidas) compartilhou um plano para mitigar o problema – e ele envolve medidas que a aviação nacional já aplica, mas com restrições.
Por que aviões voam em círculos? O cenário é chamado de padrão de espera: quando um avião entra em trajetória circular em um ponto fixo do céu enquanto soluciona um problema mecânico, aguarda melhores condições climáticas para seguir viagem ou espera autorização para aterrissar.
Em espaços aéreos muito movimentados, esta autorização pode demorar.
O volume de combustível no tanque da aeronave precisa levar em conta esse período; hoje, as normas de transporte aéreo e aviação civil propõem abastecer o suficiente para manter um padrão de espera de até 45 minutos, além do necessário para completar a rota.
Caso a permissão para pouso demore demais e o combustível fique próximo do nível mínimo de segurança , o piloto deve avisar a torre de segurança para receber prioridade na fila ou mudar a rota para outra pista.
Leia Mais: Governo prevê sete leilões de transmissão de energia até 2029 Axia estrutura financiamento de até R$ 680 milhões para transmissão no RN “Tô certo ou tô errado?” O gás brasileiro e a lógica de Sinhozinho Malta Quais as consequências dos longos padrões de espera? Segundo a Icao (Organização da Aviação Civil Internacional) da ONU, as companhias aéreas de todo o mundo transportam cerca de 5,7 milhões de passageiros por dia; o número total pode chegar a 12,4 bilhões até 2050.
Os céus cada vez mais congestionados significam que qualquer emergência ou tempestade pode causar atrasos em milhares de viagens, prejudicando viações e viajantes , além de empresas que dependem do transporte aéreo para suas cargas.
A Eurocontrol, entidade responsável pela navegação aérea na Europa, afirma que só em 2025 os atrasos custaram mais de US$ 2,3 bilhões no continente.
Como solucionar? A proposta da ONU é baseada nos semáforos de trânsito.
O secretário-geral da agência, Juan Carlos Salazar, faz uma comparação com o transporte sobre rodas.
“Se os semáforos funcionarem independentemente, o trânsito vira um caos e há engarrafamentos em todas as esquinas”, afirma.
“Se alguém recebe sinal verde em uma rua e é parado na seguinte, o congestionamento aumenta imediatamente.” Para ele, o mesmo acontece no tráfego aéreo.
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