Ex-número 3 da Fazenda de SP foi promovido quando já recebia R$ 250 mil por mês em propina, diz MP
Ouça áudio em que ex-número 3 da Fazenda de SP fala em comprar sauna para lavar dinheiro O ex-diretor-geral da Administração Tributária de São Paulo André Weiss continuou trabalhando na estrutura da Secretaria da Fazenda mesmo depois de deixar, em maio deste ano, o terceiro posto mais alto da pasta, período em que, segundo o Ministério Público, já havia recebido cerca de R$ 4,5 milhões em propina.
Weiss deixou a Diretoria-Geral Executiva da Administração Tributária (DEAT) em 29 de maio de 2026.
No mesmo dia, porém, foi designado assistente fiscal técnico na própria DEAT, permanecendo como auditor da Fazenda.
Ele continuou na secretaria até ser preso, em 3 de setembro, durante a Operação Caldarium.
Agora, o Ministério Público denunciou Weiss à Justiça pelos crimes de corrupção passiva e organização criminosa.
A denúncia também inclui os agentes fiscais de rendas Artur Gomes da Silva Neto e Kunio Shimada e o advogado João André Buttini de Moraes.
O MP pediu a manutenção das prisões de Weiss, Buttini e Artur e a decretação da prisão preventiva de Shimada.
A permanência de Weiss na Fazenda ocorreu mesmo depois de ele passar quase dois anos no comando da cúpula da Administração Tributária durante o período em que, segundo a investigação, recebia pagamentos ilícitos.
De acordo com o MP, os repasses começaram em meados de 2023, quando Weiss assumiu a Diretoria de Fiscalização (Difis), responsável pela fiscalização tributária em todo o estado.
O então delegado regional tributário do Butantã Paulo Sérgio Siqueira Prado, o “PP”, que posteriormente firmou acordo de colaboração premiada, afirmou ter passado a pagar R$ 250 mil por mês a Weiss.
Segundo Prado, o dinheiro era pago para que ele fosse mantido no comando da unidade até sua aposentadoria, em 2024.
Ao todo, cerca de R$ 4,5 milhões teriam sido entregues a Weiss em espécie, geralmente dentro de mochilas, durante encontros em restaurantes de Pinheiros, na Zona Oeste da capital.
Promoção durante período de suposta propina O MP afirma que o arranjo chegou ao “ápice” em agosto de 2024, quando Weiss foi promovido ao comando da unidade de cúpula da Administração Tributária.
Documentos oficiais mostram que ele deixou a Diretoria de Fiscalização e assumiu a Coordenadoria de Fiscalização, Cobrança, Arrecadação, Inteligência de Dados e Atendimento (CFIS).
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