“Eu saquei ela desde sempre”: João Marcello Bôscoli relembra memórias com Elis Regina em novo documentário
Divulgação/Elis Regina Arquivo Elis Regina se consagrou como uma das vozes mais marcantes e influentes da música brasileira, mas a grande artista que subia aos palcos também carregava uma vida íntima que nem todos tiveram a oportunidade de conhecer.
É esse lado menos conhecido da cantora que o novo documentário Elis & Eu apresenta ao público.
A produção, lançada na última terça-feira (25) no Universal+ , teve sua trama inspirada no livro de 2019 Elis e Eu: 11 anos, 6 meses e 19 dias com minha mãe (Editora Planeta), lançado por João Marcello Bôscoli , filho mais velho de Elis, em 2019.
Dirigido pelo cineasta André Bushatsky , o longa combina imagens de arquivo, depoimentos inéditos, performances musicais de Elis que dialogam com as cenas do documentário e dramatização.
Em conversa com o TMDQA!, João Marcello comentou sobre a abordagem do documentário que revela a relação de Elis com a casa, os filhos, os amigos e a vida cotidiana e apontou que um dos aspectos mais surpreendentes do filme é justamente perceber como Elis não enxergava sua vida pessoal e seu trabalho como universos separados: Eu acho que, historicamente, a gente sempre vê uma contraposição entre o que é possível de ter como vida profissional e o que é possível de ter como vida pessoal, de viver a casa mesmo, em todas as coisas, como uma casa funciona.
A sua organização, a alimentação, a relação das pessoas, as visitas, os grupos de amigos e de pessoas que convivem ali.
Então, a gente é levado a crer que é assim.
Poxa, a vida do artista, a vida pessoal do artista atrapalha, é quase um erro.
Ele tem que dedicar 100% a essa tarefa maior, que é ler o inconsciente coletivo e transformar em uma obra, e tudo é tão pequeno ali.
Como é que eu vou pensar em uma pia que está entupida na minha cozinha quando estou pensando na próxima música? Acho bacana ver que não é o único caso, mas a gente está tratando da Elis, que é uma pessoa que não só não tinha nenhum tipo de conflito nisso, como é um yin yang, um infinito.
Porque ela se alimenta muito da vida em casa, do trabalho de dona de casa.
O que explica uma mulher com posses, com uma condição financeira tranquila, decidiu ficar seis meses sem nenhum funcionário dentro de uma casa, lavando roupa, fazendo compras.
Nunca deixou de fazer, mas teve um momento muito intenso.
Por quê? O que é? Autopenitência? Não, ela estava se alimentando daquilo, então está costurando.
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