Escolas públicas dos EUA pagam até R$ 5.000 para alunos que não faltam
Escolas públicas de Detroit, no estado de Michigan, nos Estados Unidos, estão recorrendo a recompensas financeiras para incentivar os alunos a comparecerem às aulas.
Estudantes podem receber vales-presente que, acumulados ao longo do programa, chegam a US$ 1.000 - cerca de R$ 5.000 na cotação atual. A iniciativa faz parte do programa Perfect Attendance Pays, criado pelo Detroit Public Schools Community District (DPSCD) para enfrentar os elevados índices de faltas registrados na rede pública da cidade.
No ensino médio, os estudantes podem receber um vale-presente de US$ 100 a cada período de cinco dias consecutivos com frequência perfeita. Ao completar os dez ciclos previstos pelo programa, o valor total pode chegar a US$ 1.000.
O incentivo também passou a alcançar alunos do 6º ao 8º ano, etapa equivalente aos anos finais do ensino fundamental no Brasil. Nesse caso, o pagamento é de US$ 50 por semana de presença perfeita, com possibilidade de acumular até US$ 500.
As regras são rígidas. Para receber o incentivo, o estudante precisa comparecer a todas as aulas durante o ciclo de cinco dias.
Mesmo uma falta justificada impede o recebimento da recompensa naquela semana. V iagens escolares e atividades realizadas dentro da escola e aprovadas pelo distrito são consideradas presença regular.
Quem perde uma das recompensas, porém, não fica automaticamente fora do programa. A contagem é reiniciada a cada novo ciclo de cinco dias, permitindo que o estudante volte a concorrer ao benefício na semana seguinte.
Os pagamentos não são feitos em dinheiro. Os estudantes recebem vales-presente Visa eletrônicos enviados para o email fornecido pelo distrito escolar. No caso dos alunos do ensino médio, são até dez pagamentos de US$ 100 durante o período da iniciativa.
Detroit tenta combater elevado número de faltas. A estratégia surgiu em meio a uma dificuldade antiga das escolas da cidade: o chamado absenteísmo crônico, classificação utilizada quando o estudante perde pelo menos 10% dos dias letivos de um ano.
Em um calendário de 180 dias, isso equivale a 18 dias ou mais de ausência. No ano letivo de 2024-2025, o índice de absenteísmo crônico no distrito chegou a 60,9%.
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O distrito afirma que a presença frequente tem relação direta com o desempenho acadêmico. Segundo o DPSCD, estudantes que faltam 18 dias ou menos ao longo do ano têm probabilidade várias vezes maior de alcançar ou superar o nível esperado nas avaliações escolares e de apresentar desempenho adequado para o ingresso na faculdade.
O superintendente Nikolai Vitti também afirmou que os resultados dos primeiros anos do programa indicam melhora na frequência.
No primeiro ano da iniciativa, mais de 7.300 estudantes receberam pelo menos um vale-presente. Na época, os pagamentos eram de US$ 200 por períodos de dez dias de frequência perfeita. Ao todo, aproximadamente US$ 4 milhões foram distribuídos. Segundo Vitti, naquele período a frequência diária média dos estudantes do ensino médio aumentou 2,6 pontos percentuais, enquanto o índice de absenteísmo crônico caiu 7,4 pontos percentuais.
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