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35 milhões de pares por ano e um monumento sem igual no país: a cidade paulista que veste os pés do Brasil

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35 milhões de pares por ano e um monumento sem igual no país: a cidade paulista que veste os pés do Brasil

A fabricação de calçados faz parte da economia e da própria identidade local

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Toda cidade industrial guarda alguma excentricidade herdada de antes das fábricas. Em Franca , no extremo nordeste de São Paulo , essa herança é um relógio de sol erguido por um frade no século XIX, com apenas um equivalente conhecido no mundo, na cidade francesa de Annecy . Ao redor dele cresceu o maior centro brasileiro de calçados masculinos de couro, com selo de origem reconhecido por órgão federal.

Porque o couro trabalhado na cidade virou marca territorial, não apenas produto. Em janeiro de 2012 , o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu ao município a Indicação Geográfica do calçado masculino de couro, resultado de pedido apresentado em 2010 pelo Sindicato da Indústria de Calçados de Franca (Sindifranca) . Desde então, os pares fabricados ali podem levar um selo que atesta a procedência e dificulta a falsificação.

É o mesmo mecanismo que protege vinhos europeus e cafés especiais brasileiros, aplicado a um sapato. Não por acaso, a região também é reconhecida pela produção de café da Alta Mogiana , outro produto local com selo de procedência, conforme o Portal Oficial de Franca .

Volume suficiente para calçar cidades inteiras todo mês. Conforme dados do Sindifranca divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq) , o município reúne cerca de 650 indústrias e produz entre 30 milhões e 35 milhões de pares por ano, com exportações que somaram US$ 63,6 milhões no último período apurado.

A tradição começou com sapateiros italianos no fim do século XIX , quando o café ainda mandava na economia, e virou escala industrial nas décadas seguintes. Os Estados Unidos lideram os destinos das vendas externas, seguidos por países da América Latina e da Europa . É um percurso parecido com o de outras cidades que viraram capital nacional de um produto , com a diferença de aqui o couro substituiu o grão.

A raridade do modelo. O monumento foi construído em 1886 pelo Frei Germano D’Annecy , na praça central, e o Município de Franca registra que existe apenas um semelhante no mundo, na cidade de Annecy, no leste da França, terra natal do religioso.

Um relógio de sol funciona pela sombra: uma haste projeta o traço sobre uma superfície graduada e marca a hora conforme a posição do sol no céu. Em uma praça de cidade que hoje trabalha em três turnos e mede tempo em minutos de produção, o objeto virou um lembrete silencioso de quando o dia era contado pela luz.

O roteiro mistura patrimônio religioso, memória urbana e turismo de compras. Confira abaixo os pontos que costumam abrir a visita:

Quem quer conhecer a Capital do Calçado vai curtir este vídeo do canal Turismo com Cassimiro , com mais de 29 mil visualizações, que passeia pelo centro de Franca .

A cidade fica perto dos mil metros de altitude, o que garante inverno seco e noites frescas, com julho registrando média de apenas 14 mm de chuva. Veja abaixo o comportamento ao longo do ano:

Temperaturas e médias aproximadas com base no Climatempo .

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