‘A COP30 iniciou uma fase mais realista de combate à mudança do clima’, diz André Corrêa do Lago
O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, realizada em Belém (PA) em 2025, fará a passagem de bastão da função em novembro na 31ª Conferência do Clima da ONU, a COP31, em Antalya, na Turquia.
Ele defende que a presidência brasileira do encontro sobre mudanças climáticas no Brasil marcou o início de uma nova fase da diplomacia — menos dedicada a negociações formais e mais voltada à execução das decisões já aprovadas.
“Já negociamos muito, agora temos que passar para a implementação”, disse o diplomata em entrevista ao programa VEJA+Verde.
Para sustentar essa transição, o Brasil criou uma estrutura própria: a agenda de ação da COP30 foi desenhada a partir do texto do primeiro balanço global do Acordo de Paris, aprovado em Dubai em 2023, e organizada em seis eixos que reuniram governos, empresas, prefeituras e organizações da sociedade civil.
Segundo Corrêa do Lago, essa fórmula, criada em Belém, foi adotada ao longo deste ano por eventos de clima em Nova York, Londres e São Paulo.
O próximo passo concreto da presidência brasileira são os mapas do caminho.
Corrêa do Lago prevê lançar em 3 de novembro, às vésperas da COP31, dois documentos — um sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis e outro sobre a redução do desmatamento.
Construídos a partir de mais de 500 contribuições de países, empresas, academia e organizações da sociedade civil, não são novos acordos: servem como orientação para que governos saibam como implementar decisões já aprovadas por consenso, incluindo a preparação do segundo balanço global do Acordo de Paris, que será concluído na COP33.
Petróleo e transição Sobre o equilíbrio brasileiro entre produção de petróleo e transição energética, o embaixador apresenta a justificativa que costuma dar a interlocutores estrangeiros: cada país define seu próprio ritmo.
“O Brasil escolheu um caminho em que a exploração de petróleo nos próximos anos vai permitir financiar a aceleração da transição”, diz o embaixador.
No campo do desmatamento, Corrêa do Lago diz que o Brasil avança de forma expressiva na redução da destruição florestal e que isso deverá aproximar o país de um perfil de emissões mais parecido com o de outras nações, em que transportes e indústria, e não florestas, dominam o inventário.
Ele também defende que a agenda climática se torne política de Estado, não apenas de governo, e argumenta que ela beneficia a imagem dos produtos brasileiros no exterior.
Para o futuro imediato, o obstáculo é claro.
Questionado sobre o principal entrave à ação climática hoje, o embaixador não hesita: “A boa notícia é que não é mais tecnologia e não é mais preço.
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