O Brasil entra no jogo: criadores nacionais avançam na lucrativa indústria dos games
Semanas atrás, um boteco virtual abriu as portas, com mesas de plástico, um cachorro caramelo circulando pelo cenário e rodadas de truco e uma versão do clássico 21.
Há também espaço, claro, para o capote, jogo de cartas que dá nome à obra por onde esses elementos transitam.
Lançado pela Luski Game Studio, o game Capote é o exemplo mais explícito de uma estratégia que a indústria brasileira vem acalentando há anos: a de transformar identidade nacional em produto de exportação.
Fundada em 2019 por amigos de faculdade, a Luski concebeu a nova diversão como forma de emular rituais de socialização clássicos do país, como as mesas de carteado em espaços populares.
“Queríamos levar a experiência de bar para quem não tem companhia”, diz a produtora Camila Bothona.
Capote integra uma tendência que a indústria apelidou de “Brasilcore”.
É filão que vem crescendo nos últimos anos com games como Hell Clock , ambientado na Guerra de Canudos, ou Dandara , sobre a trajetória da líder quilombola que dá nome à iniciativa.
O recém-lançado Pimbolas , da Nano Knight Studio, reinventa o pebolim com elementos fantásticos.
Nascido de um desafio entre amigos e com 3 000 cópias vendidas no primeiro mês, o jogo em questão foi feito com dinheiro e tempo dos três sócios da Nano.
Um deles, Davi Baptista, conhecido nas redes sociais como Baptixta, professor de empreendedorismo de games na Fiap, diz que a mentalidade de quem faz jogos no país vem mudando.
“Há dez anos, todo aluno sonhava em criar o próximo God of War ”, diz ele.
“Hoje, eles veem as demissões nas gigantes internacionais e miram a produção independente.” O resultado são projetos mais curtos e realistas.
“É melhor sustentar a empresa com vários projetos pequenos do que apostar tudo numa quimera”, completa Baptixta.
INSPIRAÇÃO – Hell Clock: título baseado na Guerra de Canudos recria conflito com elementos de ação e fantasia Rogue Snail/.
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