Um crocodiliano de sete metros deixou marcas nos ossos de grandes herbívoros e pode ter dominado a cadeia alimentar da América do Sul há mais de 10 milhões de anos
Fósseis de La Venta preservam marcas atribuídas a grandes crocodilianos que atacavam ou consumiam enormes herbívoros no Mioceno
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Na atual Colômbia, fósseis do Mioceno preservaram sinais de encontros violentos entre grandes mamíferos e crocodilianos. Perfurações e deformações encontradas em ossos de herbívoros apontam para o Purussaurus como provável responsável , oferecendo uma rara evidência direta das relações entre predadores e presas que existiam na região de La Venta há mais de 10 milhões de anos.
Purussaurus neivensis era um enorme caimaníneo, grupo relacionado aos jacarés atuais, que viveu no norte da América do Sul durante o Mioceno. Estimativas recentes utilizadas por pesquisadores indicam indivíduos com aproximadamente sete metros de comprimento e massa próxima de 1.800 quilos, embora estimativas anteriores tenham produzido valores um pouco menores.
La Venta, no departamento colombiano de Huila, preserva uma fauna extraordinariamente diversa. Além de crocodiliformes, havia preguiças terrestres, grandes ungulados nativos, tartarugas, aves predadoras e outros vertebrados. Nesse ambiente, grandes crocodilianos provavelmente ocupavam posições tróficas comparáveis às dos maiores crocodilos atuais.
Pesquisadores estudaram fósseis de três grandes ungulados sul-americanos: Pericotoxodon platignathus , Xenastrapotherium kraglievichi e Granastrapotherium snorki . Entre os vestígios estão uma perfuração circular no crânio, marcas semicirculares em um fêmur e várias perfurações acompanhadas por deformação das mandíbulas.
O tamanho, o formato das marcas e os danos provocados no osso são compatíveis principalmente com dentes robustos de P. neivensis . Algumas perfurações apresentam características semelhantes às produzidas por crocodilianos modernos ao morder e processar grandes presas.
Este documentário apresenta o gênero e explica características conhecidas a partir de estudos paleontológicos.
Os dentes anteriores de P. neivensis eram grossos, cônicos e suficientemente grandes para produzir algumas das perfurações observadas. No material analisado pelos pesquisadores, dentes adultos atribuídos ao animal apresentavam diâmetros basais aproximadamente entre 19,6 e 43,7 milímetros, faixa compatível com marcas encontradas nos fósseis.
A associação não depende apenas do tamanho. A forma das perfurações, a disposição de algumas marcas e a intensidade da compressão do osso ajudam a restringir os possíveis responsáveis. Outros crocodiliformes viviam em La Venta, mas muitos eram pequenos demais ou apresentavam anatomia dentária menos compatível.
Nem sempre. Diferenciar predação de alimentação sobre uma carcaça é uma das dificuldades clássicas da tafonomia. Como os fósseis analisados não apresentam cicatrização das lesões, fica claro que os animais não sobreviveram tempo suficiente para reparar os ossos, mas isso sozinho não determina exatamente quando ocorreu cada mordida.
Os autores consideram a predação a interpretação mais provável para vários exemplares, especialmente pela localização e intensidade das marcas. Ainda assim, reconhecem que episódios de necrofagia não podem ser descartados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.