Flávio foi a TSE 14 vezes impedir Lula de dizer que ele é contra fim da 6x1
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tentou por ao menos 14 vezes impedir que propagandas eleitorais do presidente Lula afirmassem que ele era contra o projeto que colocou fim à escala 6x1 no Brasil. A maioria dos pedidos apresentados ao TSE, no entanto, não foram aceitos.
Levantamento do UOL mostra que o tema foi um dos mais combatidos pelo senador na Justiça Eleitoral desde o início do segundo turno, em 5 de outubro. De lá para cá, apenas três das 14 ações foram atendidas — todas pelo ministro André Mendonça. Foi ele também que impôs as derrotas ao candidato de oposição.
Na quarta (14), o Senado aprovou o projeto que determina a redução da jornada padrão de trabalho no país de 44 para 40 horas semanais sem diminuição de salário.
O senador não participou dos debates ocorridos ontem (14) no plenário - ele fazia campanha eleitoral no mesmo horário em cidades do Rio Grande do Sul ao lado de aliados, como o governador de São Paulo. Tarcísio de Freitas (Republicanos). Mas, como o Senado permite, Flávio votou à distância de forma favorável à maior bandeira política de seu adversário neste segundo turno.
A mudança de postura — até terça ele dizia que a proposta era oportunista e defendia o pagamento por hora trabalhada após acordo entre empregado e empregador —, no entanto, virou munição para outras peças eleitorais. Ontem, um dia após a aprovação, a campanha de Lula já alertava que, se eleito, o senador mudaria de novo o sistema de trabalho.
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Em propaganda veiculada na TV, o petista comemorou o resultado da votação, mas afirmou que Flávio Bolsonaro mudou de ideia apenas por causa da pressão do presidente e das manifestações populares, mas destaca que a conquista corre risco caso ele seja eleito.
O UOL já mostrou que a revisão da PEC recém-aprovada teria sido um compromisso assumido por Flávio com empresários contrários à mudança. Depois da votação, ele não fez nenhuma declaração a respeito.
Entre os demais temas a serem judicializados, estão peças publicitárias de Lula que sugerem cortes em programas sociais caso Flávio seja eleito e cumpra a promessa de promover um "tesouraço" nas contas públicas. O candidato obteve mais sucesso nessa seara, com três decisões favoráveis.
Uma delas, no entanto, já tem maioria do plenário do TSE para ser derrubada. O caso só não foi encerrado ontem porque o ministro André Mendonça interrompeu o julgamento com pedido de destaque. Foi ele mesmo que, liminarmente, deferiu o pedido do senador para retirar do ar um vídeo da campanha de Lula com críticas a seu plano econômico.
A mesma sessão também anulou outra medida de Mendonça, desta vez para manter no ar publicações de Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre falas de Lula (PT) a respeito do trabalho de lixeiros. Por maioria, o plenário do TSE modificou a decisão de Mendonça e determinou a derrubada das peças por estarem fora de contexto.
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