‘Não queremos mais ser cota’, afirmam organizadores do Festival Perifericu
Durante muito tempo, quando a periferia apareceu no cinema brasileiro, foi principalmente associada à violência, à pobreza e à ausência.
O Perifericu – Festival Internacional de Cinema e Cultura de Quebrada surge justamente para mudar esse imaginário.
Mais do que apresentar filmes produzidos nas quebradas, o festival busca colocar esses territórios, seus artistas e suas comunidades no centro das decisões sobre como suas histórias são contadas.
Em sua segunda edição, o festival realizado pela Maloka Filmes acontece até o dia 6 de setembro no Jardim Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo, e recebe gratuitamente uma programação dedicada ao cinema e às expressões culturais LGBTQIA+ e periféricas, com a exibição de mais de 35 filmes de diferentes regiões do Brasil e de países da América Latina.
Rolling Stone Brasil conversou com exclusividade com Rosa Caldeira e Nay Mendl , dois dos organizadores do festival ao lado de Well Amorim .
Confira a conversa a seguir: “ Não queremos mais ser cota “ Rosa Caldeira começa o papo sendo contundente: “ Estamos cansados de falar sobre violência e queremos valorizar as quebradas, periferias, comunidades e favelas também pela sua riqueza cultural, de comunidade, de vanguarda e dessa diversidade ”, afirma.
Para ele, a periferia deve ser entendida também como um espaço de criação, inovação e produção de conhecimento.
“ A quebrada é tecnologia social pura de empreendedorismo e criatividade e é isso que estamos trazendo para o centro com o festival .” A proposta passa também por questionar a maneira como o cinema brasileiro tradicionalmente seleciona, financia e reconhece seus realizadores.
Segundo Caldeira , pessoas LGBT+, negras ou indígenas não devem ocupar esses espaços como uma espécie de cota, mas como parte central da construção do próprio circuito cinematográfico.
“ Não queremos mais ser cota dentro dos espaços tradicionais do cinema ou nem sermos representados, seja na equipe curatorial, na direção artística ou nos filmes selecionados ”, explica.
“ No Perifericu , a lógica é outra: pessoas LGBT+, negras ou indígenas não são parte de uma cota, e sim a maioria, pois também são essas identidades que organizam o festival.
E é apenas dessa forma que podemos mudar realmente o imaginário social sobre as quebradas.
Afinal, para nós, a quebrada é o centro! ” Rosa Caldeira e Nay Mendl, organizadores do Festival Perifericu Cinema feito a partir da quebrada Essa mudança de perspectiva está no próprio conceito de curadoria do Perifericu .
Para Nay Mendl , não basta que uma produção tenha a periferia como tema ou cenário.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em rollingstone.com.br — o conteúdo pertence a Rolling Stone Brasil.