Fertilizantes seguem caros e demanda deve cair no Brasil, diz Rabobank
O mercado global de fertilizantes continua pressionado por preços elevados e pelo enfraquecimento do poder de compra dos produtores rurais, mesmo após a redução das cotações observada desde o pico da guerra no Oriente Médio.
É o que aponta o relatório semestral da Rabobank para o segundo semestre de 2026, publicado nesta quarta-feira (2).
Segundo o banco, a recuperação da chamada affordability — indicador que mede a relação entre o custo dos fertilizantes e a renda obtida com as commodities agrícolas — ainda não foi suficiente para estimular uma retomada da demanda.
No Brasil, a combinação entre preços mais altos dos insumos, margens apertadas no campo e restrições financeiras levou a Rabobank a revisar para baixo sua projeção de entregas de fertilizantes em 2026.
A estimativa passou de 47 milhões de toneladas, divulgada em abril, para 45,1 milhões de toneladas, abaixo do recorde de 49,1 milhões registrado em 2025.
O banco afirma que uma nova revisão para baixo ainda é possível caso as condições no Oriente Médio permaneçam adversas.
Leia Mais Relação de troca entre commodities e fertilizantes melhora em junho Último terço da compra de fertilizantes concentra risco para safra de soja Mercado de fertilizantes tem comportamentos distintos em agosto, diz Biond O relatório mostra que o índice global de affordability melhorou desde abril, quando os preços dos fertilizantes atingiram os níveis mais elevados após a escalada do conflito no Oriente Médio.
Ainda assim, o indicador permanece abaixo da linha neutra e continua classificando os fertilizantes como “não acessíveis” para os produtores nas principais regiões agrícolas do mundo.
O Rabobank projeta melhora gradual ao longo dos próximos 12 meses, mas afirma que a normalização será lenta devido aos problemas persistentes de oferta e à volatilidade do mercado.
Entre os nutrientes, os fosfatados seguem na situação mais crítica.
O índice de acessibilidade do fosfato está em -0,59, o pior entre os principais fertilizantes, refletindo preços elevados e custos de produção pressionados pelo enxofre.
O potássio aparece próximo da neutralidade, enquanto o nitrogênio também permanece em território negativo.
Brasil deve consumir menos fertilizantes O Rabobank avalia que a demanda brasileira entrou em um ciclo de ajuste depois do crescimento registrado em 2025.
Segundo o banco, produtores seguem reduzindo alavancagem e enfrentando níveis recordes de inadimplência, o que mantém o controle de custos como prioridade nas propriedades rurais pelos próximos 18 meses.
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