Lula sinaliza recuo do STF sobre a direita após conversa com Flávio Dino
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva , avaliou que integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) ligados à ala do ministro Alexandre de Moraes recuaram na ofensiva contra a direita. A percepção do chefe do Executivo ocorreu após uma conversa recente com o ministro da Corte, Flávio Dino. As informações são da CNN Brasil.
O movimento dos magistrados provocou reação no Palácio do Planalto. Em participação no programa CNN 360º nesta quinta-feira (8), Bergamasco declarou: "Foi um balde de água fria em Lula. Ele está indignado, pois está achando que o caso do Banco Master vai acabar sendo abafado".
A apuração indica que a resistência inicial do chefe do Governo em criticar a Corte cedeu espaço a um tom mais cauteloso. Sobre essa mudança de postura do presidente, a jornalista relatou: "Demorou para ele largar a mão de Alexandre de Moraes. Aos poucos, e com muito custo, adotou o discurso de que quem fez errado tem que ser investigado e tem que pagar, mas esse foi o máximo".
O avanço de candidatos de direita e de centro no processo eleitoral de 2026 alterou o equilíbrio político e reduziu a capacidade de pressão do Governo sobre o tribunal. Diante desse quadro, a âncora destacou: "Os adversários estão recebendo gestos públicos de bandeira branca via ministros do Supremo".
A estratégia do Planalto passou a priorizar o contraponto direto ao candidato Flávio Bolsonaro, evitando debates públicos sobre o Judiciário. Caso o tema surja na campanha, a orientação é defender reformas institucionais sem pedir o afastamento de magistrados, conforme apontado por Bergamasco: "Se for inevitável falar sobre o Supremo, não vai ter como passar a pedir impeachment de ministros. Lula vai ter que insistir, no máximo, em reforma do Judiciário, como já vem fazendo".
O debate sobre a reforma do Judiciário envolve o Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público. Segundo o analista de política Matheus Teixeira, "são os dois órgãos que regulamentam todo o trabalho do Judiciário e do Ministério Público, que fiscalizam a atividade da magistratura e dos promotores. São esses dois colegiados que têm o poder para demitir membros da carreira em casos de conduta ilegal".
Os dois concorrentes ao segundo turno defendem alterações nesses colegiados, mas com premissas distintas. O senador propõe reduzir competências e ampliar a presença da sociedade civil, enquanto o atual presidente sustenta que as instâncias criadas em 2004 foram capturadas pelo corporativismo e precisam de ajustes.
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