Ação no TSE questiona uso de recursos públicos em homenagem a Lula durante desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026
Partido Novo contesta financiamento público de R$ 9,65 milhões e ampla exposição na TV do enredo dedicado à vida e carreira de Lula (PT).
O ministro Antonio Carlos Ferreira, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, declarou que uma ação apresentada pelo Partido Novo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) e o vice-presidente Geraldo Alckmin , por suposto abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação no Carnaval de 2026, está em processamento.
A causa questiona o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que levou ao Sambódromo da Marquês de Sapucaí o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” , dedicado à trajetória pessoal e política de Lula. Segundo o partido, o desfile recebeu R$ 9,65 milhões em recursos provenientes do Município de Niterói, do Município do Rio de Janeiro , do Estado do Rio de Janeiro e da Embratur.
O Novo afirma que a apresentação teria atuado como promoção eleitoral do petista, então pré-candidato à reeleição, com financiamento público e ampla exposição na televisão e em plataformas digitais.
À época, o partido também havia entrado com uma representação no TCU (Tribunal de Contas da União) para pedir que a Acadêmicos de Niterói não recebesse o repasse de R$ 1 milhão da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo).
Na apuração do carnaval carioca, a escola de samba perdeu pontos em praticamente todos os quesitos, ficou em último lugar e foi rebaixada do Grupo Especial, retornando para a Série Ouro.
Além de Lula, a Acadêmicos catacterizou o ex-presidente Jair Bolsonaro como o personagem “Bozo”, forma pela qual era eventualmente chamado por críticos. Bolsonaro também foi representado com uniforme de presidiário e uma tornozeleira danificada, uma referência ao episódio de novembro de 2025 .
Uma das alas da Acadêmicos de Niterói representou ainda os “neoconservadores em conserva“. Segundo a escola, tratava-se de um grupo de oposição a Lula, representado por pessoas do agronegócio, uma mulher de classe alta, defensores da ditadura militar e evangélicos.
O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ao analisar o caso, afirmou que os fatos narrados podem, em princípio, caracterizar abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social. Assim, o ministro determinou que Lula e Alckmin sejam citados para apresentar defesa no prazo de cinco dias .
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