Fundador da Klin Calçados começou como office boy e quase foi à falência
O empresário Carlos Mestriner, hoje com 63 anos, começou a trabalhar no início da adolescência, algo comum no Brasil de algumas décadas atrás. Aos 12 anos, enquanto estudava, também era office-boy e fazia a limpeza de uma empresa de materiais para calçados em Birigui (SP), cidade localizada a cerca de 500 quilômetros da capital paulista.
Aos 15 anos, já era gerente da loja. Mais tarde, tornou-se representante comercial e passou a conhecer de perto a fabricação de calçados. Foi ali que decidiu que um dia teria a própria indústria do setor. "Eu tinha um desejo empreendedor. Sempre fui muito curioso. Eu era aquele menino que pergunta de tudo, que queria entender tudo", conta.
Em julho de 1983, a ideia saiu do papel e ele fundou a Klin Calçados, especializada em produtos infantis. A empresa produz cerca de 5,5 milhões de pares por ano e registrou faturamento de R$ 200 milhões em 2025.
Mas o início foi bem diferente, com obstáculos comuns a quem empreende e uma quase falência.
Quando ainda atuava como representante comercial, Mestriner visitava fábricas de calçados da região. Como já pensava em empreender, ele decidiu comprar máquinas usadas das empresas quando elas renovavam o parque industrial. Ao todo, investiu cerca de R$ 20 mil nos equipamentos, valor equivalente ao dos dias atuais.
"Quando eu comecei a fábrica, já tinha um miniparque fabril. Então eu conseguia produzir tudo internamente", lembra.
A estrutura funcionava em um espaço de apenas 60 metros quadrados. Hoje, a sede da Klin fica ao lado desse local, que foi preservado como um símbolo do início da empresa.
No começo, a fábrica tinha apenas Mestriner e um funcionário. Juntos, produziam entre oito e dez pares de sapatos por dia. O empresário percorria cidades da região para vendê-los diretamente aos lojistas.
A rotina era ainda mais puxada porque, paralelamente, ele cursava direito. "Eu praticamente não dormia. Tinha que estudar, tinha que ler", diz.
Nos primeiros anos da empresa, Mestriner decidiu acelerar a expansão e financiou a compra de máquinas com empréstimos bancários. "Os juros permitiam. Mas eu acelerei acima da minha capacidade."
Pouco depois, vieram as turbulências econômicas da década de 1980 e os juros subiram, tornando a situação financeira insustentável para muitos brasileiros.
"Eu olhava o que eu tinha para receber, o que eu tinha de matéria-prima, as máquinas, o empréstimo para pagar... Não fechava a conta."
Diante da crise, o contador da Klin afirmou que a única saída seria pedir concordata (recuperação judicial da época). Mestriner, no entanto, recusou a ideia. Em conversa com o pai e a família, eles decidiram seguir outro caminho: vender um bem do pai para levantar recursos. Com o dinheiro em caixa, Mestriner renegociou as dívidas diretamente com os bancos.
"Uma dívida que seria de cerca de R$ 2 milhões em valores de hoje, a gente conseguiu acertar por R$ 450 mil."
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.