Mercado 'procura previsibilidade na família Bolsonaro?', diz Dario Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, questionou nesta quinta-feira (8) a busca do mercado financeiro por previsibilidade na família Bolsonaro. Ele defendeu a "solidez da economia" sob o governo do presidente Lula (PT), prometeu superávits primários a partir de 2027 e comparou a política econômica proposta por Flávio Bolsonaro (PL) à de Javier Milei, presidente da Argentina.
O chefe da equipe econômica considera contraditória a busca de estabilidade financeira na oposição. Durigan avalia que os investidores precisam de segurança jurídica e de reformas contínuas para manter os recursos em projetos produtivos. "Essa percepção do mercado está sempre em jogo e sempre em disputa. E eu quero fazer isso porque eu entendo que o mercado somos todos nós, investidores do país que procuram confiança, procuram previsibilidade", disse o ministro em entrevista à TV CNN como porta-voz da campanha à reeleição de Lula.
Agora, você vai procurar previsibilidade na família Bolsonaro? É isso que nós estamos depositando as fichas do futuro do país? Me parece muito incongruente em quem sempre pede estabilidade, previsibilidade, mudanças estruturais em termos de reforma para o país. Dario Durigan, ministro da Fazenda
Ele afastou qualquer risco de calote nas contas públicas do país. O ministro explica que o Brasil reduziu sua vulnerabilidade externa ao quitar débitos internacionais e formar reservas cambiais, passando a financiar seus compromissos apenas em moeda nacional. "A nossa dívida é toda doméstica graças ao presidente Lula que fez essa troca. Nossa dívida estava na mão do mercado internacional. O presidente Lula pagou as nossas contas, as nossas dívidas externas, fez reserva internacional. E por causa do presidente Lula nós começamos a vender os nossos títulos no mercado brasileiro. Não tem nenhum risco de ter calote, como se aventou na imprensa um tempo atrás, zero risco disso", afirmou o ministro.
Para frear o avanço da dívida pública, o próximo mandato de Lula vai priorizar a redução das taxas de juros, diz. A estratégia da pasta é reduzir os gastos para baratear o custo do crédito e dar sustentabilidade ao orçamento no próximo mandato. "Mas sim, a gente precisa seguir fazendo um trabalho responsável na economia para que a taxa de juros caia, que é a principal determinante do endividamento brasileiro, e a gente diminua o endividamento público. Essa é a posição do governo Lula para um próximo mandato. E é importante deixar isso claro para o mercado", concluiu Durigan.
Na entrevista, o ministro se comprometeu a entregar superávits primários crescentes a partir do próximo ano. Durigan afirmou que a atual gestão organizou as contas públicas e entregará um resultado positivo para a próxima administração.
Ele classificou como "ilusão barata e vazia" as críticas do mercado financeiro sobre a condução fiscal do governo. Ele rebateu a tese de desconfiança e disse que o aumento do endividamento decorre dos juros altos, e não do resultado primário.
O ministro disse ainda que o atual governo não gastou além da conta, ao contrário do que diz o mercado.
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