‘Taxi Driver: Motorista de Táxi’: O filme que redefiniu a Nova Hollywood
Na metade dos anos 70, o cinema americano parecia dividido entre duas formas de olhar para o mesmo país.
Enquanto alguns filmes buscavam recuperar a esperança e reafirmar o sonho americano, outros preferiam encarar as cicatrizes deixadas pela Guerra do Vietnã, pelo escândalo de Watergate e pela crescente descrença nas instituições, e Taxi Driver: Motorista de Táxi representava essa segunda seara.
Lançado em 1976, o clássico de Martin Scorsese completa 50 anos em 2026 como uma das obras fundamentais da Nova Hollywood e uma aula sobre a transformação do cinema americano nos anos 1970.
Mais do que um retrato da Nova York decadente da época, o filme marcou um momento em que Hollywood finalmente se libertava das convenções do antigo sistema de estúdios e dos rígidos códigos morais que, por décadas, haviam moldado seus protagonistas e narrativas.
Era uma geração interessada em personagens imperfeitos, moralmente ambíguos e profundamente contraditórios.
Nesse contexto, Scorsese ainda buscava sua própria linguagem.
Depois de Caminhos Perigosos (1973), foi com Taxi Driver que o diretor consolidou muitas das marcas que definiriam sua carreira: a câmera inquieta, a montagem subjetiva, a violência sem glamour, o fascínio por homens consumidos pela obsessão e a relação entre fé, culpa e violência.
O roteiro de Paul Schrader acompanha Travis Bickle ( Robert De Niro ), um veterano da Guerra do Vietnã que trabalha como taxista durante as madrugadas de Nova York.
Incapaz de estabelecer conexões humanas, Travis observa a cidade pela janela do carro como quem contempla um organismo doente.
Prostituição, criminalidade, corrupção e abandono se misturam à deterioração psicológica do protagonista, tornando impossível separar o que pertence ao mundo e o que existe apenas em sua mente.
É justamente essa recusa em oferecer respostas simples que faz de Taxi Driver uma obra tão duradoura.
Scorsese nunca trata Travis como herói, mas também evita reduzi-lo a um vilão.
O espectador é colocado diante de um homem profundamente perturbado, cuja violência nasce da solidão, do ressentimento e de uma necessidade desesperada de encontrar algum sentido para a própria existência.
Boa parte dessa força vem da interpretação de De Niro , que transformou Travis Bickle em um dos personagens mais emblemáticos da história do cinema.
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