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Brasil

Supremo entra em modo de autodemolição

Bem Paraná ·

Há exatamente vinte e cinco anos, o mundo assistiu, estarrecido, ao colapso das Torres Gêmeas, naquele atentado pavoroso que uma geração inteira acompanhou ao vivo e que as gerações mais novas já mal recordam.

Na última quinta-feira, o Brasil viveu o seu capítulo particular de onze de setembro: não a queda de prédios, mas o desabamento moral definitivo do Supremo Tribunal Federal, empurrado pela quebra total do sigilo que blindava o caso Master.

O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, determinou que o ministro André Mendonça liberasse, sem exceção, tudo o que envolve o caso.

Mendonça cumpriu.

O que antes ficava resguardado em subsigilo, por ainda estar em fase de investigação, também caiu.

Abriu-se a caixa de Pandora, e agora ninguém mais pode alegar vazamento seletivo: está tudo escancarado.

A escalada da crise que já tragava ministros do STF no escândalo do Banco Master embalou quando André Mendonça divulgou o relatório da Polícia Federal com as mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.

Foi esse documento que acendeu o estopim.

Na sequência, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do chefe de Inteligência da corporação, Leandro Almada, por suspeita de que tinham mandado espioná-lo, decisão que o colega Flávio Dino tentou reverter dias depois, reintegrando os dois ao cargo.

Foi nesse cenário de decisões cruzadas que Fachin entrou em cena para tentar pôr ordem na bagunça.

No mesmo dia, Fachin também revogou a relatoria de Alexandre de Moraes no famigerado inquérito das fake news, aberto em 2019, e assumiu pessoalmente o processo — uma história à parte, mas que reforça a intenção do presidente de acalmar os ânimos na Corte diante dos últimos acontecimentos.

O gatilho foi o próprio Moraes ter anexado ao inquérito acusações de improbidade e abuso de autoridade contra Mendonça.

No mesmo movimento, Fachin concentrou na Presidência da Corte tanto o procedimento do relatório de Mendonça quanto o pedido de investigação apresentado por Moraes.

Os gestos renderam a Fachin uma pergunta incômoda da articulista Elena Landau, em artigo no Estadão: será ele o Eliot Ness desta grande Chicago tomada pelo crime organizado, com os três poderes cooptados? A referência aos Intocáveis, com o agente federal enfrentando o império de Al Capone, é tentadora, e a autora reconhece que, mesmo sendo ficção, é difícil não pensar no Brasil de hoje como uma Chicago em que Executivo, Legislativo e Judiciário aparecem, todos, salpicados pelo escândalo do Master.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.

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