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Nos anos 90, a Tectoy fez o impossível: colocou Street Fighter II no Master System

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Nos anos 90, a Tectoy fez o impossível: colocou Street Fighter II no Master System

No final dos anos 90, o PlayStation já estava dominando as conversas entre os jogadores, o Nintendo 64 havia chegado ao mercado e o Mega Drive ainda fazia bastante sucesso no Brasil. Enquanto isso, um console que o resto do mundo praticamente já havia aposentado continuava firme e forte por aqui. Era o Master System.

Foi nesse cenário de mercado único que a Tectoy, distribuidora oficial da Sega no Brasil, realizou o que parecia tecnicamente impossível: adaptar o maior jogo de luta da história, Street Fighter II , para o Master System.

Não uma versão pirata, não uma adaptação feita por fãs décadas depois e nem um jogo parecido. Era uma versão oficialmente licenciada de Street Fighter II, desenvolvida para o console de 8 bits e lançada exclusivamente no Brasil.

Desenvolver Street Fighter II para o guerreiro console de 8 bits não era apenas uma tarefa ousada; era um pesadelo de engenharia e programação. O hardware do Master System possuía limitações severas de memória, processamento e paleta de cores quando comparado aos arcades da Capcom ou ao Mega Drive.

A equipe da Tectoy passou a trabalhar em uma adaptação que aproveitava recursos de outras versões do jogo, especialmente materiais gráficos relacionados às versões de Mega Drive.

Segundo relatos sobre o desenvolvimento, foram necessários quase 12 meses de trabalho para extrair, adaptar, compactar e reorganizar o conteúdo (como redesenhar os quadros de animação pixel por pixel) para que tudo pudesse caber em um cartucho de 8 Megabits (1 Megabyte), o maior tamanho já utilizado na biblioteca oficial do Master System.

Após meses de trabalho, a Tectoy havia conseguido criar uma demonstração impressionante, mas precisava convencer a dona de Street Fighter II, a Capcom, de que aquela versão realmente poderia funcionar.

E foi aí que aconteceu uma das histórias mais curiosas envolvendo um jogo brasileiro. Stefano Arnhold, então presidente da Tectoy, contou que a empresa apresentou o jogo a um representante da Capcom sem revelar imediatamente em qual console ele estava rodando.

O visitante recebeu um controle de Mega Drive. A Tectoy escondeu o Master System. O representante começou a jogar e, acreditando estar diante de uma versão para o console de 16 bits, avaliou o resultado sem ficar muito impressionado.

Até que veio a revelação. Aquele jogo estava rodando em um Master System. Segundo Arnhold, o representante da Capcom ficou impressionado com a capacidade do console de exibir personagens daquele tamanho e aprovou o projeto.

Obviamente, o jogo tinha suas limitações físicas. Ele tinha apenas 8 personagens, a jogabilidade era mais lenta, os controles de dois botões do Master System exigiam combinações para alternar entre socos e chutes (médios e fortes), as animações foram simplificadas e ocorriam piscadas de sprites na tela quando os personagens se aproximavam.

O Street Fighter II do Master System é um daqueles jogos que ajudam a explicar por que a história dos videogames brasileiros é tão peculiar.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.terra.com.br — o conteúdo pertence a Terra.

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