Mendonça deve manter caso Lulinha no STF mesmo após pedido da PGR
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), ainda não decidiu se vai despachar rapidamente ou não a respeito da manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) que pede a revisão de foro do caso Lulinha.
A coluna apurou que Mendonça considerou o pedido feito por Paulo Gonet "sem sentido" e que "não se sustenta".
Quando deliberar sobre o caso, será pela negativa e pela manutenção de dois inquéritos que tratam de suspeitas contra Fábio Luís da Silva, filho do presidente Lula (PT), no Supremo.
Aliados do ministro dizem que não é a primeira vez que tentam tirar as investigações de suas mãos e que há uma "tentativa sistemática" para que Mendonça deixe os casos, o que poderia afastar supostas interferências políticas.
Além de Mendonça, há um inquérito sobre Lulinha nas mãos do ministro Flávio Dino. Segundo apurou a coluna, Dino não demonstra disposição em mandar o caso para a primeira instância antes de Mendonça, justamente para não parecer que ele estaria favorecendo o presidente.
Mendonça, por sua vez, diz a aliados que há conversas com citação de pessoas com foro e, por isso, o correto seria manter os casos no STF.
O filho do presidente da República está sendo acusado de envolvimento com a lobista Roberta Luchsinger, que fez gestões para vender um projeto de canabidiol ao Ministério da Saúde. Ambos seriam sócios de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", no projeto. Em conversas com interlocutores analisadas pela Polícia Federal, a empresária cita pessoas com foro, o que justificaria o caso se manter no Supremo.
Ao UOL , o advogado Marco Aurélio Carvalho, do grupo Prerrogativas, que atua na defesa de Lulinha, celebrou a manifestação da PGR .
"Desde o início, a defesa vem sustentando o que a PGR disse: não há autoridade com foro privilegiado nesse inquérito, não há verba pública, não há relação direta ou indireta com o INSS."
Infelizmente, nós estamos diante de mais uma perseguição implacável com objetivos políticos eleitorais. Fico feliz, evidentemente, por essa notícia [do pedido da PGR], mas recebi sem surpresa. Esse inquérito deveria ter sido arquivado. Na primeira instância, nós vamos ter a oportunidade de exercer plenamente o nosso sagrado direito de defesa e de confirmar tudo o que estamos dizendo. Marco Aurélio Carvalho, advogado de Lulinha
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