Trabalho infantil diminuiu, mas MS tem desafio em áreas urbanas
O trabalho infantil no Brasil caiu quase 10% em 2025 e atingiu o menor nível da série histórica iniciada em 2016.
Apesar da redução, cerca de 1,5 milhão de crianças e adolescentes de cinco a 17 anos ainda exercem atividades proibidas pela legislação.
É como se uma vez e meia a população de Campo Grande estivesse trabalhando ilegalmente.
O cenário foi analisado pela procuradora-chefe do MPT-MS (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul), Candice Gabriela Arosio, durante entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News .
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou os números na sexta-feira (16), com base na Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).
O levantamento identificou 1,499 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em 2025, contra 1,650 milhão no ano anterior.
A diferença representa 151 mil pessoas a menos nessa condição.
Mesmo assim, 4% da população brasileira entre 5 e 17 anos ainda está submetida a atividades consideradas inadequadas ou ilegais para a idade.
A gente percebe que ainda é uma grande meta.
É um desafio para o Estado brasileiro.” Para a procuradora, que está no segundo mandato à frente do MPT-MS, com previsão de permanecer no cargo até 2027, o resultado demonstra os efeitos das políticas públicas desenvolvidas ao longo de décadas, mas também revela o tamanho do desafio que permanece.
Ela relembra os anos 90, quando Mato Grosso do Sul foi o primeiro estado a receber o Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), criado no Governo FHC, e que depois inspirou o Bolsa Escola, com crianças que trabalhavam em carvoarias.
Segundo a procuradora, as denúncias daquela época chegaram à esfera internacional e impulsionaram medidas que associaram o afastamento das crianças do trabalho à permanência na escola.
"Aquela atuação no passado teve muitos resultados, primeiro porque atrelou o afastamento da situação de trabalho à manutenção da criança na escola", explicou.
Para Candice, a educação e a saúde precisam continuar no centro das estratégias de proteção.
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