Perto do dono, longe da autonomia? O dilema da independência nos conselhos das empresas da bolsa
Em uma empresa de capital aberto, o conselho de administração deveria funcionar como uma espécie de contrapeso à gestão.
Cabe aos conselheiros acompanhar as decisões, fazer perguntas difíceis e, quando necessário, colocar limites aos interesses de quem está no comando.
Mas há uma questão que torna esse equilíbrio mais delicado: e quando parte dos conselheiros classificados como independentes chega à cadeira por indicação justamente do controlador que eles deveriam fiscalizar? Um levantamento da XP Research ajuda a dimensionar o desafio.
Entre os 141 conselhos analisados, 52% dos conselheiros classificados como independentes foram eleitos pelo controlador .
Em 72% das empresas, a maioria dos assentos é ocupada por conselheiros eleitos ou indicados por ele.
Em 44%, todos os membros do conselho foram escolhidos dessa forma.
Na visão de especialistas em governança corporativa , os números não significam, por si só, que esses profissionais não sejam independentes.
"Com controle concentrado, é natural que o controlador indique a maioria, porque ele tem os votos.
O problema está em processos de seleção e avaliação que dependem só dele.
Um conselheiro eleito pelo controlador não deixa de ser independente automaticamente, mas precisa demonstrar isso na prática: divergindo, registrando voto em ata, questionando transações com partes relacionadas”, afirmou o especialista Geraldo Ferreira , em conversa com o Seu Dinheiro .
Os analistas da XP avaliam que a independência dos conselhos continua sendo uma das principais áreas de aprimoramento da governança corporativa, enquanto os controladores mantêm influência significativa sobre sua composição.
Para eles, essa dinâmica pode afetar a percepção de independência e levantar questionamentos sobre o grau de supervisão efetivamente autônoma exercida por esses membros.
O dilema da independência dos conselheiros O estudo da XP mostra que apenas 39% das empresas analisadas têm maioria de conselheiros independentes .
Na média, os independentes representam 48% das cadeiras.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.seudinheiro.com — o conteúdo pertence a Seu Dinheiro.