Sônia Guajajara e Célia Xakriabá pedem ao TSE garantia de votos de indígenas no 2º turno
As deputadas federais Sônia Guajajara (PSOL-SP) e Célia Xakriabá (PSOL-MG) enviaram nesta sexta-feira (8) um ofício ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, pedindo a adoção de medidas urgentes para assegurar o acesso às urnas de indígenas, quilombolas e integrantes de outras comunidades tradicionais no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
O documento apresenta relatos de representantes indígenas de diferentes partes do Brasil, reunidos durante uma plenária nacional realizada em 7 de outubro.
Entre as dificuldades apontadas estão problemas na oferta de transporte por terra e por rios, falta de informações, ausência de intérpretes e restrições enfrentadas por mulheres indígenas que chegaram aos locais de votação acompanhadas de seus filhos.
No Amazonas, lideranças afirmaram que os problemas ocorreram em diversos municípios, inclusive em Manaus.
Em Lábrea, segundo informações apresentadas durante a plenária, aproximadamente 7 mil pessoas não teriam conseguido comparecer às urnas por dificuldades de deslocamento.
Os números da totalização mostram que 6.888 eleitores se abstiveram no município, o equivalente a 23,47% dos 29.351 aptos a votar.
A abstenção também foi elevada em outras cidades amazonenses com significativa presença indígena.
Em São Gabriel da Cachoeira, município que possui a maior proporção de população indígena do país, 8.328 eleitores não foram às urnas, índice de 25,69%.
Considerando todo o estado do Amazonas, a taxa de abstenção ficou próxima de 20%, conforme balanço do Tribunal Regional Eleitoral.
No Pará, representantes indígenas relataram que o transporte disponibilizado não foi suficiente e, em alguns casos, não atendia às necessidades das comunidades.
Em Jacareacanga, onde estão localizadas aldeias e territórios dos povos Munduruku, Kayabi e Apiaká, foram contabilizadas 3.551 abstenções, o equivalente a 25,77% do eleitorado.
O percentual foi o quinto maior registrado entre os municípios paraenses.
Os relatos também mencionam dificuldades no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, e nas Terras Indígenas do Xingu e Marechal Rondon, em Mato Grosso, além de problemas registrados em Pernambuco e no Amapá.
No caso dos povos Tiriyó e Kaxuyana, indígenas que não falam português teriam sido impedidos de votar por não compreenderem as instruções dadas pelos mesários.
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