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Vários milhões de parisienses estão reunidos 20 metros abaixo das ruas porque cemitérios lotados começaram a ser esvaziados em 1785 e seus ossos foram levados durante a noite para antigas pedreiras

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Vários milhões de parisienses estão reunidos 20 metros abaixo das ruas porque cemitérios lotados começaram a ser esvaziados em 1785 e seus ossos foram levados durante a noite para antigas pedreiras

Uma crise sanitária levou Paris a transformar antigas pedreiras em um enorme ossuário subterrâneo no fim do século XVIII

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Sob as ruas movimentadas da capital francesa existe um dos maiores ossuários subterrâneos conhecidos. As Catacumbas de Paris ocupam antigas galerias de extração de calcário e guardam restos mortais de vários milhões de pessoas, a cerca de 20 metros de profundidade. O cenário atual nasceu de uma crise sanitária no fim do século XVIII, quando cemitérios urbanos superlotados passaram a representar um problema sério para a cidade.

Durante séculos, Paris manteve cemitérios dentro de áreas densamente habitadas. Um dos mais problemáticos era o Cemitério dos Santos Inocentes, utilizado por quase dez séculos e localizado numa região central. A concentração crescente de sepultamentos acabou criando condições sanitárias consideradas incompatíveis com uma cidade cada vez mais populosa.

O cemitério foi fechado em 1780 e as autoridades decidiram transferir seu conteúdo para um espaço subterrâneo. A solução escolhida foram antigas pedreiras de Tombe-Issoire, sob a planície de Montrouge, então fora dos limites urbanos. O local fazia parte de uma extensa rede de galerias abertas anteriormente para extração de pedra calcária usada na construção de Paris.

As primeiras grandes evacuações ocorreram entre 1785 e 1787 e atingiram justamente o Cemitério dos Santos Inocentes. Túmulos, fossas comuns e depósitos de ossadas foram esvaziados. Os restos eram então transportados ao anoitecer para diminuir possíveis reações hostis tanto da população parisiense quanto da Igreja.

Ao chegar às antigas pedreiras, os ossos eram despejados por dois poços de serviço. Trabalhadores das pedreiras distribuíam e acumulavam o material nas galerias. O processo não terminou com aquela primeira operação: outros cemitérios do centro de Paris também tiveram restos transferidos nas décadas seguintes.

Este vídeo da própria Ville de Paris mostra o interior e apresenta o monumento subterrâneo.

Muito antes de receber ossos humanos, o subsolo parisiense já era explorado para obtenção de pedra. As pedreiras subterrâneas existiam pelo menos desde a Idade Média e deixaram um enorme conjunto de galerias. O setor de Tombe-Issoire oferecia espaço e acesso suficientes para a instalação do novo ossuário.

A preparação ficou sob responsabilidade de Charles-Axel Guillaumot, ligado à Inspection générale des carrières, criada por Luís XVI em 1777 para monitorar e consolidar antigas pedreiras após graves colapsos do solo parisiense. A história detalhada desse processo pode ser consultada no site oficial das Catacumbas de Paris .

Não. Inicialmente, os restos eram despejados e acumulados nas galerias de forma muito menos organizada. Parte dos ossos chegou a se fragmentar durante esse processo. A aparência cuidadosamente construída que hoje impressiona os visitantes resultou de intervenções posteriores no ossuário.

Antes e depois da abertura ao público em 1809, o local recebeu uma organização de caráter monumental. Sob Héricart de Thury, fêmures e tíbias foram dispostos em fileiras, alternados com crânios, formando paredes aparentes.

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