Vasco segue sem empréstimo. Juiz pede comparação de gastos com outros times
O Vasco segue sem autorização para um novo empréstimo. O juiz Victor Agustin Cunha Jaccoud Diz Torres, em atuação na 4ª Vara Empresarial do Rio, determinou que até a próxima quarta-feira, 2 de setembro, seja apresentado um parecer conjunto sobre dois temas: o pedido de DIP (Debtor-in-Possession), empréstimo feito a empresa em recuperação judicial, de até R$ 150 milhões; e a venda da UPI Equity, o pacote de ações que permite transferir o controle da SAF, ou de uma nova empresa de futebol do clube. O magistrado também cobra explicação a respeito dos gastos com a contratação de jogadores se comparados com o ano passado e a outros clubes da primeira divisão do campeonato brasileiro.
A decisão atende ao Tribunal de Justiça e deixa claro que a liminar do TJ não autoriza contratar o crédito, nem liberar qualquer valor sem exame técnico. O parecer terá de ser crítico e vir assinado em conjunto pela Administração Judicial, pelo Watchdog (fiscal independente nomeado para acompanhar contas, operações e o cumprimento do plano) e pelo Gatekeeper (analisa e dá aval técnico a atos relevantes, antes que avancem). Enquanto isso não ocorrer, o dinheiro do empréstimo permanecerá bloqueado.
O juiz vê risco no ritmo das novas dívidas. O plano de recuperação foi homologado em dezembro de 2025 com descontos relevantes dos credores. Em menos de um ano, porém, o Vasco já tomou R$ 120 milhões emprestados e agora pede mais R$ 150 milhões, ao mesmo tempo em que projeta prejuízo de R$ 300 milhões até o fim de 2026. Direitos a receitas futuras já foram dados em garantia: se o dinheiro da venda da SAF não entrar no caixa, esses recebíveis podem ser cobrados pelos financiadores dos empréstimos.
O ponto mais sensível é o destino dos R$ 500 milhões da proposta vinculante da Almirante Participações e Empreendimentos S.A. O plano aprovado pelos credores diz que a venda da UPI Equity deve servir, entre outros fins, para quitar integralmente as dívidas da recuperação e obrigações que ficaram fora do plano, como empréstimos DIP e tributos. A proposta do investidor, no entanto, proíbe usar esses R$ 500 milhões para pagar dívidas e reserva o valor ao futebol — atletas, comissão e contratações. Para o juiz, não há como vender o principal ativo do grupo com essa trava, ainda que haja promessa de "ajuda" posterior.
Há outros problemas na operação, como a falta de uma avaliação independente do valor das ações da Vasco SAF. O grupo que se apresenta como comprador já emprestou R$ 270 milhões e, na prática, também sugereria preço da venda — o que poderia distorcer o leilão, como se o credor levasse vantagem para ficar com o ativo. E tem mais: Vasco e a 777 Carioca ainda disputam numa arbitragem quem é dono dessas ações, ou seja, se o clube perder, pode estar vendendo algo que não lhe pertence por inteiro. A CBF também pode recusar a troca de controle, pelo fato de Lamachia ser enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, que disputa os mesmos certames que os vascaínos.
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