Parece impossível: multidão puxa torre de castelo de 400 toneladas no Japão
Cerca de 1.800 pessoas participaram de uma operação incomum para devolver a torre principal do Castelo de Hirosaki ao local original, no norte do Japão.
Com a ajuda de cordas, trilhos e roletes, os voluntários deslocaram a construção de aproximadamente 400 toneladas por 2,22 metros durante dois dias. O evento foi realizado nos dias 22 e 23 de agosto, na cidade de Hirosaki, província de Aomori. Divididos em grupos alternados de 80 pessoas, os participantes puxaram cordas de 30 metros presas à plataforma que sustentava a torre.
No sábado, a estrutura avançou 1,13 metro. No domingo, cerca de mil pessoas, separadas em 14 grupos, conseguiram movê-la mais 1,09 metro, segundo a agência japonesa Kyodo News.
Evento recebeu cerca de 8.000 inscrições. A procura para participar da operação foi muito maior do que o número de vagas disponíveis. Pessoas de diferentes regiões do Japão e de outros países se inscreveram para ajudar.
Recebemos cerca de 8.000 inscrições para as 1.800 vagas disponíveis nos últimos dois dias, uma procura aproximadamente quatro vezes maior do que a capacidade. Por isso, nem todos puderam participar. As inscrições vieram não apenas da cidade, mas de todo o Japão e também do exterior. Houve um número considerável de participantes do Sudeste Asiático, da Europa e da América do Norte Kensuke Hayasaka, funcionária da prefeitura de Hirosaki, ao The Guardian
A muralha de pedras que sustentava a torre apresentava uma protuberância e corria risco de desabar. Para permitir a desmontagem e a reconstrução dessa parte da estrutura, a prefeitura decidiu retirar temporariamente o edifício de sua base.
Em 2015, a torre foi colocada sobre trilhos e transferida para uma base provisória situada a aproximadamente 80 metros do ponto original. O primeiro deslocamento levou cerca de dois meses.
As obras de reconstrução da muralha começaram em 2016. O trabalho foi concluído em dezembro de 2024, depois que todas as 2.185 pedras foram recolocadas em suas posições originais.
Com o fim dessa etapa, começou a operação para devolver a torre ao lugar de origem. Algumas pessoas que participaram do primeiro deslocamento, há 11 anos, retornaram para acompanhar a viagem de volta. Em declaração ao jornal japonês Sankei Shimbun, citada pelo The Guardian, Motoharu Nakata, 61, contou que também participou da operação anterior.
Eu também ajudei a puxá-la 11 anos atrás. É muito emocionante poder participar novamente. Não existe nenhuma outra oportunidade de puxar um castelo. Foi fantástico Sankei Shimbun
Para preservar a construção histórica, os responsáveis pela obra empregaram uma técnica japonesa conhecida como hikiya. O método permite colocar edifícios inteiros sobre trilhos ou roletes e deslocá-los sem desmontar suas estruturas.
A técnica já foi utilizada no Japão para abrir espaço para estradas e outros projetos urbanos. Nas últimas décadas, porém, também passou a ser adotada para preservar construções históricas que poderiam ser danificadas ou destruídas durante uma desmontagem.
A participação popular representa apenas uma parte simbólica da operação. Cerca de 4.100 pessoas devem ajudar a puxar a torre por um total de cinco metros até o fim de agosto.
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