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O teto da discórdia: a nova rinha cultural que abala a França

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O teto da discórdia: a nova rinha cultural que abala a França

Em meados do século XIX, o céu era o limite para o pintor francês Jules-­Eugène Lenepveu (1819-1898).

Artista acadêmico de prestígio, ele acumulava distinções nos salões que celebravam a arte oficial e chegou a ter um cargo relevante como representante dos pintores da França na Itália.

Sinal notório do poder de um artista na época, suas telas e painéis de temática histórica, mitológica e religiosa passaram a adornar grandes edifícios públicos.

Lenepveu também era um típico colecionador de bons contatos, e foi graças a um deles, o arquiteto Charles Garnier, que conseguiu seu maior feito: a chance de pintar o impressionante teto da Ópera de Paris, projetada pelo amigo influente.

De 1875 até os anos 1960, a obra As Musas e as Horas do Dia e da Noite reinou absoluta ao pairar sobre o público e os artistas que se apresentavam na casa operística.

Até que a chegada de uma nova visão estética lançou seu trabalho no ostracismo, transformando Lenepveu num dos casos mais emblemáticos de apagamento de um artista que gozou de extremo sucesso em vida.

BRIGA – Lenepveu (à esq.) e Chagall com Malraux: acadêmico versus modernista Fernand Berthault; Bernard Allemane/Ina/AFP Desde 1964, o teto original decorado por Lenepveu foi recoberto por um conjunto de outros 24 painéis criados pelo artista bielorrusso Marc Chagall (1887-1985) — um dos mestres mais populares do modernismo, com suas criações oníricas de grande potência poética.

Agora, num momento em que Paris se vê incendiada pelos protestos ferozes de estudantes, ainda sobram tempo e ânimo aos franceses para se envolverem numa ruidosa rinha cultural sobre o tema.

A Sociedade de Amigos de Lenepveu, liderada por um de seus descendentes, Arnaud Carayon, anunciou na semana passada sua disposição de processar o governo francês por uma causa inusitada: exigir que a pintura do artista neoclássico volte a ser vista pelos espectadores e pelas hordas de turistas que visitam o prédio da Ópera de Paris.

“Todos aqueles que conhecem a sala da Ópera com o teto de Chagall terão curiosidade de vê-la com o de Lenepveu”, declarou Carayon a VEJA.

A história de como o conjunto modernista acabou tomando o lugar da obra acadêmica tem ares anedóticos.

Reza a lenda que, no início dos anos 1960, o poeta e então ministro da Cultura francês André Malraux ficou tão entediado ao assistir a um espetáculo na Ópera que desviou seus olhos para o teto o tempo todo — e cismou com o estilo ultrapassado da pintura de Lenepveu.

Com poder de autoridade de Estado, Malraux chamou então seu amigo Chagall para dar um jeito no problema.

Trabalhando de modo secreto, em questão de poucos meses o artista concebeu painéis que poderiam ser facilmente dispostos sobre a abóbada original.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.

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