Negociando com o sobrenatural
Eu me considero uma pessoa racional.
Pelo menos até a hora em que preciso muito de alguma coisa.
Aí minha racionalidade começa a apresentar rachaduras.
Se a situação aperta, sou capaz de conversar com santo, fazer promessa, bater três vezes na madeira e desconfiar de uma borboleta que entrou pela janela.
Acho que não sou exceção.
O brasileiro pode ser ateu, agnóstico, católico, evangélico, espírita ou simplesmente indiferente.
Mas, no fundo, quase todo mundo tem um pé no invisível.
É fato: a gente negocia com o outro lado.
Quem nunca tentou fazer negócio? Tipo: — Se eu conseguir esse emprego, acendo uma vela.
É uma operação comercial com o Além.
Eu ofereço a vela, o santo providencia o emprego.
Há quem prometa subir escadarias de joelhos, abandonar o chocolate, parar de fumar.
Sempre achei curioso prometer justamente aquilo que mais dói.
Ninguém diz: — Se meu filho passar no vestibular, prometo tomar sorvete durante uma semana.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.