Clima, crime e castigo (por Mariana Caminha)
Ontem, ao visitar a 6ª Bienal Internacional do Livro de Brasília, uma coisa me chamou a atenção.
Em praticamente todos os estandes das grandes editoras nacionais, um autor ocupava lugar de destaque: Fiódor Dostoiévski.
Curiosamente, uma matéria publicada hoje pelo Estadão revela que dois dos cinco títulos mais lidos no MEC Livros são dele: Noites Brancas, que, acredite, já viralizou no TikTok, e Crime e Castigo.
Reli recentemente as primeiras páginas de Crime e Castigo e fui fisgada por um detalhe do qual não me lembrava.
Calor.
É assim que começa um dos maiores romances já escritos.
Estamos em São Petersburgo, no início de julho, e Raskólnikov deixa o pequeno quarto onde vive para caminhar pela cidade.
Dostoiévski faz questão de nos dizer, logo na primeira frase, que fazia um calor excepcional naquele fim de tarde.
Não é apenas uma informação meteorológica.
A cidade que encontramos nas páginas seguintes parece sufocar junto com o personagem.
Há poeira, mau cheiro, gente demais, tavernas, apartamentos apertados, pobreza.
Raskólnikov está irritado, perturbado, com os nervos à flor da pele.
Tudo incomoda: as pessoas, a cidade, o próprio ar.
Sabemos o que aquela caminhada anuncia.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.metropoles.com — o conteúdo pertence a Metrópoles.