Montenegro afasta riscos sistémicos de crises financeiras na UE
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, afastou hoje "riscos sistémicos" de crises financeiras de outros Estados-membros da União Europeia, mas sublinhou que Portugal tem "autoridade moral" para exigir o cumprimento das regras orçamentais.
"Não vale a pena estarmos a apresentar esse drama.
Não estamos em condições de dizer que há riscos sistémicos no comportamento financeiro de alguns Estados-Membros da União Europeia", afirmou hoje o chefe do Governo no parlamento, durante o debate preparatório do Conselho Europeu, que se realiza nos próximos dias 15 e 16.
"Mas nós temos a autoridade moral para exigir da União Europeia que o comprometimento com as regras orçamentais, com as regras financeiras, deve ser assegurado, porque nós sofremos na pele aquilo que custou corrigir um desvio que estava a ter essa consequência há cerca de 15 anos", salientou.
Luís Montenegro respondia ao deputado Manuel Magno, do Chega, que considerou que a Europa está sob "duas espadas, a financeira e a energética", e questionou o primeiro-ministro sobre o impacto de crises em outros Estados-membros, nomeadamente em França.
"Não é apenas o exemplo francês, há outros.
Há Estados-Membros com dívidas muito significativas e com défices também muito relevantes", comentou o primeiro-ministro.
Montenegro afirmou-se preocupado que "alguns agentes e partidos políticos defendam para Portugal algumas políticas que nesses países estão a ser executadas e que são a origem dos desequilíbrios orçamentais que estão agora a ser mencionados".
Os líderes da União Europeia reúnem-se na próxima semana em Bruxelas para uma cimeira na qual vão discutir respostas para o aumento do custo de vida e tentar consensualizar "os elementos fundamentais" do próximo orçamento comunitário (2028-2034).
O próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP) dominou grande parte do debate de hoje com o Governo.
O primeiro-ministro referiu que os objetivos da Comissão para o próximo orçamento passam pelo aumento do investimento na defesa, dinamização da competitividade económica e promoção da transição energética.
"Fazê-lo com os mesmos recursos não é possível.
Evidentemente que acrescentar desafios e perspetivas de intervenção pressupõe também o respetivo financiamento", comentou, respondendo ao deputado do PS Eduardo Pinheiro.
Montenegro advertiu contra a possibilidade de Portugal perder receita fiscal.
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