Partido Likud exige suspensão do julgamento de Netanyahu
O partido Likud, do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, exigiu hoje a suspensão do julgamento que o chefe do Governo enfrenta por corrupção, após o testemunho do ex-procurador-geral Avichai Mandelblit a reconhecer que foram feitas diligências sem a sua aprovação.
"Exigimos que o julgamento seja imediatamente suspenso após o depoimento de Mandelblit e que o processo seja encerrado, uma vez que os casos foram fabricados ilegalmente", afirmou o partido maioritário, citado pelo jornal The Times of Israel.
Em comunicado, o Likud pede também investigações criminais contra Mandelblit e vários altos elementos da polícia envolvidos no caso.
O ex-procurador-geral, que autorizou a acusação do primeiro-ministro, admitiu hoje, perante o tribunal, que a polícia fez diligências sem a sua autorização, embora tenha aprovado as principais etapas da investigação.
O testemunho ocorreu a poucas semanas das eleições legislativas em Israel, marcadas para 27 de outubro, e que as sondagens apontam para que sejam umas das mais incertas de sempre.
Mandelblit foi secretário de gabinete de Netanyahu, que o nomeou procurador-geral em 2016.
Três anos depois, anunciou a acusação contra o primeiro-ministro em três casos de corrupção, fraude e tráfico de influências, que estão a ser julgados.
"A verdade está a vir ao de cima", comentou o primeiro-ministro à chegada ao tribunal, segundo o portal de notícias israelita Ynet.
Na sala estiveram também presentes o presidente do Knesset (parlamento), Amir Ohana, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Saar, que em 2022 elogiou o "papel decisivo" de Mandelblit "na preservação do Estado de direito".
A lei israelita exige que o procurador-geral autorize qualquer investigação contra um primeiro-ministro e Mandelblit fê-lo verbalmente, sem um documento formal — uma prática que já foi criticada por juízes, segundo o Canal 12 de Israel.
Como exemplo, citou a interceção telefónica do então chefe de gabinete de Netanyahu, Natan Eshel, levada a cabo pela polícia sem o consultar e que ordenou que fosse interrompida.
"A escuta telefónica da polícia no assessor do primeiro-ministro deixou-me furioso, disse para cancelarem", contou em tribunal.
Ainda assim, afirmou que não precisava de saber de cada passo da polícia: "Queria ser informado das principais ações, mas não de cada uma delas", relatou.
A defesa argumenta que o próprio Mandelblit teve informações ocultadas: "Há grandes partes da verdade que não sabe, que lhe foram escondidas", disse-lhe o advogado de Netanyahu, Amit Hadad, segundo o Canal 12.
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