Moçambique pede reforço de cooperação nas fronteiras da África austral
O ministro do Interior moçambicano defendeu hoje, em Pretória, o reforço urgente da cooperação regional e patrulhas conjuntas nas fronteiras da África austral para travar o crime organizado transnacional, como tráfico de droga, roubo de viaturas e raptos.
"As nossas fronteiras territoriais e marítimas devem ser pontes de desenvolvimento e comércio legal, mas devem simultaneamente ser muralhas intransponíveis para a criminalidade", afirmou Paulo Chachine, na abertura da reunião da Célula de Planeamento Trilateral (TPC), na África do Sul.
O TPC é um órgão estratégico de segurança e inteligência constituído pela 'troika' de países Moçambique, África do Sul e Tanzânia, dedicado à coordenação de operações de combate ao crime organizado transnacional, com incidência no tráfico de droga, raptos e roubo de viaturas na região da África austral.
Para alcançar esses objetivos, o governante moçambicano defendeu um reforço da partilha de informação estratégica entre os Estados-membros.
"A nossa inteligência deve antecipar-se às ações criminosas.
Exigimos uma articulação operacional em tempo real, que neutralize as redes logísticas e financeiras que alimentam a instabilidade", disse o ministro.
Paulo Chachine defendeu igualmente a intensificação das patrulhas coordenadas e conjuntas ao longo das fronteiras comuns.
"É imprescindível que os nossos setores de defesa e segurança interna dominem as novas tecnologias de vigilância e cibersegurança", acrescentou.
O apelo surge num contexto de preocupações crescentes com a criminalidade organizada na região e poucas horas depois de as autoridades moçambicanas denunciarem a presença, no país, de redes internacionais de tráfico de droga.
Segundo o diretor-geral do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), Ilídio Miguel, operam atualmente em Moçambique uma rede paquistanesa, os cartéis mexicanos de Sinaloa e Jalisco Nova Geração (CJNG) e a organização criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com o responsável, a rede paquistanesa ganhou particular destaque na década de 1990 e voltou a ganhar força a partir de 2019, enquanto os cartéis mexicanos operam sobretudo na rota sul.
Já o PCC estabeleceu ligações no país através de Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido como "Fuminho", apontado pelas autoridades brasileiras como um dos maiores narcotraficantes do país e detido em abril de 2020 em Maputo.
As autoridades moçambicanas têm manifestado preocupação com a capacidade destas organizações de se infiltrarem em instituições do Estado através da corrupção.
Segundo Ilídio Miguel, desde 2022 verificou-se uma redução do uso das rotas terrestres e da zona costeira, sobretudo no norte do país, em benefício da via aérea para o transporte de estupefacientes.
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