Carlos Moedas defende em Bruxelas revisão do sistema Volta
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, defendeu hoje, em Bruxelas, uma revisão do sistema de depósito de embalagens Volta, com o reembolso de 10 cêntimos, reforçando que está a provocar "problemas sociais graves" na capital portuguesa.
"Eu penso que esta política do Volta precisa de ser revista", afirmou o autarca social-democrata e ex-comissário europeu, que salientou que estas "políticas europeias estão muito longe das pessoas".
Carlos Moedas, que falava aos jornalistas à margem da sessão plenária do Comité Europeu das Regiões e depois de uma reunião com a Comissária Europeia do Ambiente, Resiliência Hídrica e Economia Circular, Jessika Roswall, disse que a "intenção da política é boa", mas depois a implementação "está a ser muito má" e está a provocar "problemas graves em Lisboa".
O autarca explicou que mostrou à Comissária vídeos e fotografias daquilo que se está a viver em Lisboa e que Jessika Roswall respondeu que vai "fomentar uma reunião técnica" como a Comissão, o Governo português e o município de Lisboa.
Moedas defendeu uma solução à semelhança do que acontece em França, em que o sistema foi suspenso em algumas cidades, havendo uma flexibilidade na sua aplicação.
Questionado porque escolheu abordar o Volta na sua intervenção no Comité das Regiões, do qual é vice-presidente, Carlos Moedas afirmou que o maior desafio que as cidades têm é a habitação e esse é um tema que tem trazido com regularidade a Bruxelas, mas realçou que há outros temas importantes, como o caso do sistema de depósito de embalagens.
"Os relatórios que eu tenho de pessoas que estavam em tratamento de droga e que agora passaram a utilizar o sistema como uma maneira de ir encontrar mais um pouco de droga, de continuar a manter o vício, a adição, isso é muito preocupante.
E, portanto, as políticas ambientais são muito importantes, são cruciais, mas devem olhar em primeiro lugar para a dignidade humana", defendeu.
A propósito, referiu que "os dramas já lá estavam, mas estavam a ser cuidados".
"Quando nós temos uma pessoa que está num programa de adições e deixa esse programa para ir coletar 10 cêntimos em 200 ou 300 garrafas para voltar para a droga, então nós estamos a fazer com que esse problema que já existia, que estava a ser tratado, aumente", apontou.
E reforçou que os "dramas sociais têm vindo a aumentar por muitas razões".
"Uma delas é a quantidade de droga que começou a entrar por Portugal.
Como sabem, a droga entrava pelos portos de Roterdão e outros portos do Norte.
Está a entrar hoje mais em Portugal, os preços caíram muito e, portanto, há, de facto, uma inundação, seja de cocaína e de crack", sustentou, acrescentando que o Governo e a Câmara Municipal têm a responsabilidade de ter programas para tratar esses problemas sociais.
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