A fórmula política de Montenegro
Um governo cai quando a elite que o colocou lá conclui que ele já não serve o propósito.
Resta saber se alguma vez o serviu.
Há uns dias, a Festa do Pontal celebrou 50 anos, e meio país esperava o discurso que mudaria tudo.
Não vai mudar.
Não porque Luís Montenegro não seja capaz de fazer um bom discurso, mas porque nenhum discurso recupera um Governo que perdeu a narrativa.
O Pontal serve para relançar quem já tem mensagem.
Não serve para inventar uma.
E é aí que está o problema.
Um Governo de maioria relativa não se aguenta pela aritmética, aguenta-se pela narrativa.
Os 91 deputados da AD não aprovam nada sozinhos; a maioria tem de ser construída de cada vez e constrói-se, primeiro, na opinião pública e só depois no hemiciclo.
É a opinião pública que dá ao Governo a autoridade para negociar e que impõe custos a quem lhe chumba as leis.
Sem essa lealdade difusa, o Governo entra no Parlamento como devedor, não como credor.
Foi exatamente o que aconteceu com o Pacote Laboral, por exemplo.
Chegam as feridas do verão: um ministro da Educação a responder no Parlamento pelo caos na correção dos Exames Nacionais, o ministro tentou reformar e, por culpa até de muitos dos envolvidos, o processo acabou por ter um balanço negativo para alguns; um ministro da Administração Interna com suspeitas relativas ao período anterior à sua entrada no Governo e pressões, incluindo de setores do PSD, para sair.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.