A erosão invisível da liberdade de expressão
Um relatório publicado esta semana refere que Portugal recuou nos últimos cinco anos em indicadores da qualidade democrática.
O Global State of Democracy 2026 coloca-nos entre os países europeus que mais desceram no que toca à credibilidade das eleições e às liberdades civis, incluindo a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa.
Como nenhum relatório esgota a realidade, fui procurar mais dados.
Fui dar com o V-Dem ( Varieties of Democracy ), da Universidade de Gotemburgo.
Também este, no estudo de 2026, coloca-nos, pela primeira vez, na “watchlist” de países em risco de autocratização.
Outros rankings parecem mais confortáveis.
A Freedom House mantém-nos como “Free”, com 96 em 100.
Os Repórteres Sem Fronteiras colocam-nos no top 13 mundial em liberdade de imprensa.
Mas o Media Pluralism Monitor alerta para riscos crescentes (entre eles, a concentração dos media, a precariedade e a difamação criminal).
Há três coisas que estes relatórios avaliam.
Primeiro, o clima político não é favorável: a polarização subiu, a qualidade do debate desceu, e há mobilização a favor de formas não democráticas de governo.
Depois, o estado dos media não está no seu melhor: redações mais frágeis, jornalistas mais precários, propriedade mais concentrada, o que envolve risco para o pluralismo.
Finalmente, a difamação continua a ser crime em Portugal, punida com pena de prisão, e as múltiplas condenações pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos mostram que isso pode ser usado para silenciar quem critica publicamente.
Neste clima, começa a generalizar-se a autocensura, que os relatórios nomeiam como forma de cerceamento da liberdade de expressão.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.